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Os pronomes “o” e “a” que constam da última estrofe...

Para responder às próximas cinco questões, leia o poema “Urge o tempo” de Gonçalves Dias (1823-1864).


Urge o tempo, os anos vão correndo,

Mudança eterna os seres afadiga!

O tronco, o arbusto, a folha, a flor, o espinho,

Quem vive, o que vegeta, vai tomando

Aspectos novos, nova forma, enquanto

Gira no espaço e se equilibra a terra.


Tudo se muda, tudo se transforma;

O espírito, porém, como centelha,

Que vai lavrando solapada e oculta,

Até que enfim se torna incêndio e chamas,

Quando rompe os andrajos morredouros,

Mais claro brilha, e aos céus consigo arrasta

Quanto sentiu, quanto sofreu na terra.


Tudo se muda aqui! Somente o afeto,

Que se gera e se nutre em almas grandes,

Não acaba, nem muda; vai crescendo,

Co’o tempo avulta, mais aumenta em forças

E a própria morte o purifica e alinda.

Semelha estátua erguida entre ruínas,

Firme na base, intacta, inda mais bela

Depois que o tempo a rodeou de estragos.


DIAS, Gonçalves. Cantos. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Os pronomes “o” e “a” que constam da última estrofe referem-se, respectivamente, a


A

tempo e morte.


B

afeto e estátua.


C

tempo e base.


D

afeto e morte.


E

tempo e estátua.