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No trecho “Não adiantava restituí-la ao jardim.”, o verbo...

TEXTO 4


Furto de Flor


FURTEI UMA FLOR daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destinava-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temei por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me: – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!


ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981, p. 80.

No trecho “Não adiantava restituí-la ao jardim.”, o verbo restituir é:


A

transitivo direto.


B

transitivo indireto.


C

transitivo direto e transitivo indireto.


D

intransitivo.


E

agente da passiva.