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Leia atentamente o texto a seguir e responda às questões de 1 a 15.
Darwin já via emoções ligadas à neurologia e à fisiologia
Charles Darwin, em 1872, defendeu: emoções são
estados mentais que causam reações corpóreas
estereotipadas. Para Darwin, cada sentimento poderia ser
precisamente identificado em posturas e movimentos
5 faciais específicos. Para isso haveria uma rota
universalmente repetida, que liga esse produto cerebral
aos músculos.
Quando ativa, a emoção é denunciada por uma exata
expressão. Essa ideia foi uma das inspirações para a
10 alvorada técnica que transformou a psicologia, até então
filosofia mental, em uma disciplina científica. Os
pesquisadores passaram a procurar bases físicas para
explicar medo, raiva e tristeza embasados na neurologia e
na fisiologia.
15 A mente humana era vista como um conjunto de
capacidades separadas, e cada uma dessas seria produzida
por um particular substrato anatômico. Na época surgiam
descobertas de que exatos locais cerebrais cuidavam de
funções restritas como linguagem e visão. Por que não
20 existiriam áreas que guardam raiva, medo e alegria?
Os cientistas Klüver e Bucy em 1939 deram boas
respostas a essa pergunta. A dupla observava a falta que
fazia partes eliminadas no cérebro de macacos. Primatas
cujos sistemas límbicos – um conjunto de estruturas da
25 base cerebral – haviam sido danificados, mudaram de
animais ferozes para dóceis. Antes da intervenção, se
afastavam de animais peçonhentos em aversão; depois,
até os traziam à boca. Fora descoberto o centro
intracraniano para a raiva e medo. Décadas após Klüver e
30 Bucy, novas pesquisas apontaram que uma parte do
sistema límbico, a amígdala, deveria ser considerada esse
núcleo emocional. Sob essa visão, os sentimentos
batalham com a cognição para o controle do
comportamento.
35 Técnicas sofisticadas de imagem cerebral em
humanos provam que as amígdalas atuam para temor e
pânico e no condicionamento emocional. Também
formatam memórias com apego emotivo e nos habilitam a
reconhecer a expressão facial do medo. Mas essas
40 conclusões foram tomadas de experimentos laboratoriais.
Exemplos de vida real, de pessoas com lesões cerebrais
restritas às amígdalas, são indispensáveis para um
conhecimento mais refinado.
Existe um defeito genético raro que causa a doença
45 de Urbach-Wieth, cujas consequências se espalham pelo
corpo e em especial leva à calcificação das amígdalas
cerebrais. S.M. é uma mulher que tem esse diagnóstico,
ela possuiu dificuldades em experienciar medo em
momentos normativos; por exemplo, ao assistir a filmes de
50 terror. S.M. não consegue aprender com seus erros e mal
reconhece o medo expresso em faces e tons de vozes.
Entretanto, em circunstâncias especiais, quando inala ar
com concentrações mais altas de CO2, ela entra em pânico.
A amígdala, portanto, não é fundamental para a sensação
55 de medo. Outro ponto: nem todas as pessoas com lesões
bilaterais de amígdalas sofrem das mesmas restrições
vividas por S.M.
Diferente do que Darwin pensou, não existe uma
expressão única certeiramente ligada a uma emoção. E se
60 desejamos compreender esses sentimentos é insuficiente
olharmos para uma área em nosso organismo, todo o
cérebro importa. Esse órgão contém módulos de
especialização, mas possui outra característica oposta a
essa atribuição. Vários de seus elementos, estruturados
65 em locais diferentes, têm função semelhante e promovem
o mesmo comportamento. A seleção natural favorece
sistemas assim, que demonstram complexidade e
resistência a danos.
A atividade de um único neurônio, ou de um pequeno
70 agrupamento desses, é a presença ou ausência de alguma
função cerebral, em um dado momento. Muitos neurônios
se conectam com um único, a chamada conectividade
muitos para um. Logo, a atividade de uma dessas células
recebe influências de diferentes combinações exercidas
75 por seus pares. Como consequência, os neurônios têm
múltiplos propósitos.
E assim são as diferentes regiões cerebrais; ainda que
especializadas, exercem diversas atribuições. E muitas
dessas transformam eventos neurais em categorias
80 mentais, que atribuímos um significado e nomeamos.
Tristeza, raiva, nojo são exemplos dessas categorias. São
palpites de nossa situação interna. Esse é um processo
crucial para que aprendamos com a experiência, e para
que infiramos o que está prestes a acontecer.
85 O cérebro não surgiu para a razão, para a felicidade
ou para a percepção precisa. Fosse assim, o consumo de
energia seria imenso e insustentável. Restrito por
privações, o cérebro cria modelos mentais para
compreender o instante, em suposições. Formar emoções
90 é uma forma cerebral para termos mapas mentais de
nossas introspecções, e para dar significado à influência
que o ambiente exerce sobre os nossos corpos. É a
maneira de nosso encéfalo explicar as sensações corporais
que surgem por efeito da situação do nosso redor, e
95 internamente. Emoções não são apenas reações ao
ambiente, mas uma forma de compreender
consequências. São obras difusas de nossos cérebros e
instáveis, nenhuma sensação é exatamente a mesma que
acabou de acontecer.
(Luciano Magalhães Melo. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luciano-melo/2023/12/darwin-javia-emocoes-ligadas-a-neurologia-e-a-fisiologia.shtml. 4.dez.2023, com adaptações.)
Primatas cujos sistemas límbicos – um conjunto de estruturas da base cerebral – haviam sido danificados, mudaram de animais ferozes para dóceis. (L.23-26)
O segmento sublinhado no período acima, em relação ao termo anteriormente indicado, estabelece uma relação de
explicitação.
enumeração.
especificação.
explicação.