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Em relação ao primeiro parágrafo do texto, assinale a...

TEXTO 1


Leia o texto e responda as cinco questões seguintes


Crônicas (Sub)Urbanas: Ué, Lebron… você por aqui?


Eu só imagino a quantidade de vezes em que você não

ouviu isso, Lebron. Porque afinal de contas, você não

tinha sido feito para vencer na vida. Filho de mãe

solteira, morando nos projetos de habitação em Akron,

Ohio. Negro. A sociedade espera(va) te ver em um lugar

diferente. De maneira que quando você muda as coisas e

vai em outra direção, inevitavelmente a pergunta mais

feita àquela época deve ter sido: “ué, Lebron… você por

aqui?”.


Virando capa de revista ainda no ensino médio. A grande

promessa do basquete dos Estados Unidos. Você estava

lá. Depois, na NBA de Jordan, Kobe, Shaq, Duncan,

Nash, Nowitzki, Carter, Iverson, McGrady… você por

ali?


Você tem noção, Lebron, que quando o mundo ouvia

CD’s em discman, virava o flip dos seus celulares para

mandar SMS, assistia DVDs, acessava internet banda

larga em lan houses, postava fotos no MySpace e no

Orkut e não fazia ideia do que era home office, você

estava lá?


Deixando o resto do mundo de lado: você tem noção,

Lebron, de que quando eu ainda usava aparelho,

comprava jogo pirateado de Playstation, assistia

desenhos e videoclipes na TV, mal fazia ideia do que era

vestibular e, criminosamente, não jogava basquete há

muito tempo, você estava lá?


Então peço desculpas por soar repetitivo, mas não posso

deixar de perguntar: “ué, Lebron… você por aqui?”


Porque veja bem, Lebron Raymone James, um dos

maiores clichês dos roteiros de Hollywood é um

personagem soltando a mesma frase de efeito para

justificar absolutamente qualquer tomada de decisão a

partir dali. E a frase é sempre “o mundo mudou”. Mas

quem sou eu para falar do mundo, não é mesmo? Porque

quando a gente pensa que ele mudou, surge um

terraplanista. Olha só o Kyrie Irving.


Bom, eu pelo menos saí da escola e tirei o aparelho.

Voltei a jogar basquete. Tive birra com você por achar

você “fominha” demais. Passei pra faculdade. Joguei

cada vez mais basquete. Vi você levar os seus talentos

para South Beach. Prometi a mim mesmo que se você

ganhasse um título compraria uma camisa sua. Você

ganhou dois. Comprei sua camisa. Esqueci a birra que

tinha com você. Joguei mais basquete ainda. Me formei

na faculdade. Vi você voltar pra casa em Cleveland, igual

à época em que eu estava na escola. Vi você ter a sua

própria escola. Vi outro título seu. Comprei outra camisa

sua. Talvez eu devesse usar aparelho de novo. Talvez eu

devesse voltar pra escola, mas do outro lado da sala de

aula. Joguei menos basquete por causa do meu joelho. Vi

você ir pra Los Angeles. Tive um podcast e escrevi uma

coluna. O podcast parou. Fui pra faculdade de novo.

Quero jogar mais basquete de novo.


E você ainda está por aqui.


Isso porque esse foi só eu. Imagina a quantidade de

pessoas que andam por aí se perguntando “ué, Lebron…

você por aqui?”. Certeza que foi a primeira coisa que

passou pela cabeça do Iguodala antes daquele toco no

título de 2016. Do Pernalonga também quando você foi

fazer “Space Jam”. A minha namorada pensa a mesma

coisa porque a todo e a qualquer momento você pode

aparecer no meio da conversa sem aviso nenhum. Igual

ao toco no título de 2016.


Mudar nunca é fácil, muito por conta da inevitabilidade

da mudança. É difícil para mim e para muita gente se

imaginar vivendo num mundo sem uma reportagem da

Glória Maria, uma entrevista do Jô Soares e uma canção

de Gal e Erasmo, por exemplo. É muito difícil. Então não

culpe a gente por olhar para o lado e perguntar: “ué,

Lebron… você por aqui?”.


Porque você segue aqui, Lebron James. Há vinte anos

entregando o melhor. Há vinte anos buscando a

grandeza. Há vinte anos elevando o patamar não só do

jogo, mas da vida. Há vinte anos entre erros e acertos

como qualquer ser humano, embora tenha horas em que

a gente duvide. Há vinte anos tendo a excelência como

padrão. Há vinte anos escrevendo o roteiro que, na

madrugada do dia 7 para o dia 8 de fevereiro de 2023, ao

se tornar o maior pontuador da história da NBA, me fez

chorar igual criancinha e vibrar por alguém do outro lado

do planeta que nem faz ideia de que eu existo. E quer

saber por quê, Lebron?


Porque você sempre esteve aqui. E que sorte a nossa.


Renan Alonso – Autoria Independente.

Em relação ao primeiro parágrafo do texto, assinale a alternativa em que o pronome destacado possui uma classificação diferente do pronome destacado nas demais alternativas.


A

“eu só imagino a quantidade de vezes em que você não ouviu isso, Lebron.”


B

“Porque afinal de contas, você não tinha sido feito para vencer na vida.


C

“A sociedade espera(va) te ver em um lugar diferente.”


D

“inevitavelmente a pergunta mais feita àquela época deve ter sido:”