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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 20.
Se...
Teria acontecido. Se não fosse por sua insegurança, pela mania de duvidar de si mesmo, daria certo.
Bastava ter pedido. Simplesmente ter se arriscado. Um "não" seria o pior que te aconteceria, mas o "sim" mudaria sua vida. Por que não tentou?
Por que deixou o medo ser maior de sua vocação para a felicidade?
Quantas vezes deixamos oportunidades passarem, amores atravessarem a porta de saída, sonhos serem arquivados só porque fomos incapazes de dominar o medo.
O medo que paralisa, limita, congela as suspeitas, eterniza as dúvidas. O medo que nos diminui, desmerece, encarcera ... torna pessoas comuns (muita areia para nosso caminhão).
E um dia - tarde demais - descobrimos que tínhamos as chaves. Que muitas portas estariam abertas se tivéssemos tentado.
Bastava coragem - e não haveria um "se"...
Gosto muito do filme Divã, baseado na obra de Martha Medeiros; em especial da parte em que a personagem Mercedes pergunta ao seu analista: "E se eu lhe disser que estou com medo de ser feliz para sempre?". Porque, no final das contas, é assim que vivemos: constantemente boicotando a felicidade com preconceitos e suposições.
Cheios de "mania de perfeição", colecionamos fragilidades e distorcemos nossas possibilidades com autocrítica, remorso e culpa.
Muitas vezes preferimos prestar tributo ao sofrimento a acreditar nos dons que carregamos, na alegria que existe - ainda que camuflada - dentro de nós.
No mundo legitimado por egos inflados e distorções da verdadeira autoestima, reconhecer-se merecedor, capaz e digno é admitir-se irrestrito.
É aceitar a igualdade - a irrefutável verdade que ninguém é tão especial ou tão banal.
É entender que ninguém é "muita areia pro caminhão" de ninguém; compreende que com esforço, empenho e fé somos igualmente capazes de cruzar a linha de chegada. E então relaxar, porque finalmente aprendemos a confiar no nosso taco.
Não precisaríamos perder tanto tempo se soubéssemos que temos as chaves tanto quanto aquele nosso vizinho importante e sortudo. Porém, muitas vezes preferimos deixá-las esquecidas, negligenciadas dentro de uma gaveta abandonada à própria sorte.
Porque no fundo há o medo: de avançar e cair. De chegar e se arrepender. De evoluir e não estar pronto.
De querer e não obter.
Então nem ousamos o primeiro passo - como se o erro fosse o fim.
Mas nos esquecemos de que o erro é apenas o começo. O início.
É o que nos faz ir mais longe, além da dúvida além de nossas fragilidades ... Além de nós mesmos.
Fonte: SIMÕES, Fabíola. A soma de todos os afetos. São Paulo: Faro Editorial, 2022.
Marque a alternativa em que a palavra difere quanto à tonicidade das outras:
aceitar.
oportunidades.
torna.
sofrimento.