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Um punhado de passado
Por Pedro Guerra
01 A vida tem dessas de promover alguns encontros quando a gente nem sabe se tá querendo
02 ser encontrado. Eu estava no meio do nada. — ok, sem tanto extremismo: eu estava em uma
03 conveniência de beira de estrada, daquelas em que o sinal do celular é meio capenga e os
04 salgados são superfaturados. O passeio era despretensioso, coisa rápida pra esvaziar a bexiga e
05 seguir caminho. Para pagar o uso do banheiro, comprei uma água (também superfaturada), e
06 logo ali no caixa veio a surpresa: encontrei uma bala que não via .... no mínimo uns 20 anos.
07 Foi como um soco no estômago, desses que desmancham certezas e despertam
08 lembranças. A bala em questão era um quadradinho envolto em papel prateado, daqueles que
09 grudam e muitas vezes a gente acaba mastigando com um pouco de embalagem mesmo. A
10 viagem, antes prevista para determinada cidade, de súbito pareceu deslocar-se para um tempo
11 bem antigo, no qual eu ainda era criança e conhecia aquela bala pela primeira vez. Lembro como
12 se pudesse tocar .... memória com os dedos: a professora de espanhol sempre entregava de
13 presente um daqueles doces quando acertávamos alguma atividade.
14 O engraçado é que durante anos eu procurei por aquela bala, e todas as minhas tentativas
15 foram ....... . Acontece que certas coisas só nos encontram no momento certo — e nunca
16 sabemos quando ele vai chegar. Ali, parado, imóvel em frente ao caixa, tratei logo de pegar um
17 punhado daquele pedaço de nostalgia, como se buscasse segurança em um passado idealizado
18 que jamais vai voltar. Rodeados de um presente líquido e instável, levei no bolso um pedaço de
19 mim que pensei que nunca reencontraria. Foi barato, foi inesperado, foi necessário.
20 Confesso que ainda não comi todas as 8 balas que comprei. Guardei algumas para algum
21 momento em que a realidade pareça tão difícil e desconexa que a certeza do ontem irá de alguma
22 forma parecer cafuné. Também fiz isso porque não sei quando é que vou encontrá-las por aí de
23 novo — tá certo, eu até sei o local, mas ele fica longe e, sabe como é, mesmo que o passado
24 pareça reconfortante, a gente tem uma pressa de futuro que muitas vezes é tudo, menos doce.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2025/08/umpunhado-de-passado-cmellq2lm01o0014zmjtwyvkr.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise os termos sublinhados dos trechos abaixo:
Assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, a função sintática dos termos sublinhados.
Adjunto adnominal – agente da passiva – complemento nominal.
Adjunto adverbial – objeto indireto – complemento nominal.
Adjunto adnominal – objeto indireto – adjunto adnominal.
Adjunto adverbial – agente da passiva – adjunto adnominal.
Adjunto adnominal – objeto indireto – complemento nominal.