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Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as palavras...

Reaprender a ouvir estrelas


Por Helô Bacichette


  1. Quando eu era criança, meu pai me levava ao terraço de um prédio no centro de Caxias,
  2. na rua Pinheiro Machado, onde funcionava um hotel. O dono, um homem curioso e apaixonado
  3. pelos mistérios do céu, mantinha ali um grande telescópio. Lembro das noites em que subíamos
  4. juntos, meu pai e eu, em silêncio, para procurar Saturno, as Três Marias, observar a lua ou ver
  5. alguma estrela cadente. Foi assim que o universo entrou no meu imaginário: como fa...ínio,
  6. mistério, poesia e contemplação.
  7. E eu continuo achando isso lindo. Ainda acredito que pode haver vida além da Terra. Mas
  8. essa vida — se existe — não é nossa. O que me incomoda é essa mania que o ser humano tem
  9. de agir como se tudo no universo lhe pertencesse, como se o brilho das estrelas fosse um
  10. convite ao domínio. .
  11. Não é contra a curiosidade que eu falo. E contra a ganância. Contra esse impulso de querer
  12. o que é inalcançável. Há algo profundamente inconsciente — quase predatório — em querer
  13. possuir o cosmos sem antes aprender a amar o chão que nos sustenta.
  14. Olhar para o céu, decifrar os sinais dos astros, seguir as fases da lua — tudo isso antecede
  15. a própria ideia de ciência. Antes da comprovação, havia a intuição. Ezra Pound dizia que os
  16. poetas são antenas da raça: sentem antes de entender. Foi Olavo Bilac, o poeta das estrelas,
  17. quem escreveu os versos de Via Láctea. Neles, sugeriu que bastaria sensibilidade para ouvir as
  18. estrelas. Hoje, sabe-se que as estrelas vibram, emitem sons — sons que os instrumentos
  19. captam, apenas para confirmar o que, desde sempre, alguém já pressentia.
  20. Contudo, em vez de escutar as estrelas, muitos preferem silenciá-las — abafam o mistério
  21. com cálculos, trocam o assombro pela pressa de partir. Há quem sonhe com Marte como se
  22. fosse uma alternativa, caso a Terra falhe. Mas o que vejo é uma lógica da tecnologia a serviço
  23. da fuga. Talvez, para além da medida, reste algo que só o espanto alcança. .
  24. Apesar dos desafios da Terra, meu desejo não é viver em outro canto do universo. E aqui
  25. onde desejo permanecer. Sim, há fome, guerras, injustiças. Talvez por isso mesmo, nenhum
  26. impulso de fuga me comova diante das viagens rumo ao espaço. Porque cuidar da Terra exige
  27. mais coragem do que abandoná-la.
  28. Ficar, reparar. Replantar. Reaprender a ouvir as estrelas — não para conquistá-las, mas
  29. para simplesmente contemplá-las.
  30. Talvez o verdadeiro futuro esteja aqui mesmo, no gesto de olhar o céu ao lado de quem
  31. amamos. E lembrar que a Terra é o melhor lugar para se viver.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helobacichette/noticia/2025/08/reaprender-a-ouvir-estrelas-cme39dcd50121012xflmy2iw5.html — texto adaptado

especialmente para esta prova).

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as palavras sublinhadas aos seus respectivos sinônimos.


Coluna 1

1. “tudo isso antecede a própria ideia de ciência” (I. 14-15).

2. “Talvez, para além da medida, reste algo” (I. 23).

3. “Apesar dos desafios da Terra” (I. 24).

4. “mas para simplesmente contemplá-las” (I. 28-29).


Coluna 2

( ) Apenas.

( ) E anterior.

( ) A despeito.

( ) Porventura.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

4-1-3-2.


B

3-2-4-1.


C

3-4-1-2.


D

2-1-3-4.


E

1-3-4-2.