Imagem de fundo

Quanto à colocação pronominal, nos excertosI. “Falta-me um...

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 5.


Domingo


Um dia sem jornais é como um domingo chuvoso. Há tempo para tudo, mas a chuva estraga. Há tempo ao longo da rua, tempo de telefone e presença, mas falta a profundidade de um sol. Em que mundo estamos? Não sabemos. Uma bomba pode ter modificado o mapa da Ásia. E não sabemos. Falta-me um terremoto sem grandes consequências ali no Alasca ou mais ao norte. Coleciono fugitivos de Berlim Oriental; mas hoje a minha coleção está desfalcada. Preciso tomar conta do mundo, preciso estar em contato, preciso acompanhar Ira de Fürstenberg, Brigitte Bardot e Pelé pelas estradas da atualidade. Sou amigo íntimo dos satélites artificiais. Nada acontece dentro ou fora deles que não me seja imediatamente comunicado. E também acompanho desde o embrião as novas armas que tentarão, com estrondo, raptar a paz que está nas mãos dos nossos inimigos. Em São Domingos morro e não me avisam: o rádio grita informações sintéticas, mas eu quero detalhes. Quero saber com quantos furos na blusa me derrubaram. Quero saber se alguma esquiva amada me chora ou se a polícia política conhece a minha ficha. Quero ver a radiofoto. Quero estudar palavra a palavra as declarações do Papa, a fim de me livrar das interpretações oportunistas. Arre! Que fome de dados! E que hábil pescador de emoções, aventura que os computadores eletrônicos desconhecem! O meu domingo é pobre, chove no mar, e os cinemas só exibem filmes que já vimos.

Como estará a coisa là bas? Quantos morreram no último desastre da Leopoldina? Quantas crianças foram raptadas ontem? Pois o Rio de Janeiro é o único lugar do mundo em que o sequestro de crianças não passa de rotina. Então é preciso ler o jornal, a informação seca: duas colunas, nenhum destaque especial. Acompanhamos o acontecimento e estudamos a maneira como é noticiado. Desastre ferroviário e sequestro, assalto à mão armada e atropelamento fatal são informações banais. Como se a morte dos homens e o desamparo das crianças obedecessem a uma ordem burocrática. Em breve as calamidades serão publicadas no Diário Oficial. E ninguém tomará conhecimento, como é normal.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: OLIVEIRA, J. C. A revolução das bonecas. Rio de Janeiro, Sabiá, 1967, p. 151-152. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/14720/domingo >.

Quanto à colocação pronominal, nos excertos


I. “Falta-me um terremoto sem grandes consequências ali no Alasca ou mais ao norte”

II. “Quero saber se alguma esquiva amada me chora”

III. “Quero saber com quantos furos na blusa me derrubaram”


verifica-se:


A

a ênclise em II e III.


B

a próclise em II e III.


C

a mesóclise em I.


D

a próclise em I.


E

a próclise em I e a ênclise em II e III.