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Texto para as questões de 1 a 10.
1 Para a medicina, responder à pergunta do
paciente “O que vai me acontecer agora?” é sempre
um desafio. Um desafio que exige o desenvolvimento
4 de habilidades especiais, tanto do ponto de vista
científico como do ético e psicológico. E é um desafio
que surgiu cedo na história da medicina. Podemos
7 dizer que a arte do prognóstico antecipou mesmo a do
diagnóstico. Disso a medicina grega sempre foi um
exemplo. Para os médicos hipocráticos, o diagnóstico
10 era feito em termos de reais ou supostos distúrbios
humorais (excesso de bile negra, pletora de sangue
etc.). Não havia uma base anatomopatológica nem
13 exames complementares. Havia o veredito médico, que
os pacientes provavelmente aceitavam com certa
resignação. Em relação ao prognóstico, porém, a
16 exigência era grande, principalmente se o paciente era
alguém importante: um rei, um nobre, um rico
proprietário. Nesses casos havia interesses em jogo e
19 muitas pessoas queriam saber do médico qual seria o
desfecho do caso — e, sendo este fatal, quando o óbito
aconteceria. Pode-se imaginar que muitos doutores
22 devem ter suado frio nessas condições.
Com o tempo, o prognóstico foi-se tornando um
exercício científico. A economia aprendeu a estudar
25 tendências, a estabelecer fórmulas e equações; e a
meteorologia passou a contar com o apoio dos satélites
e de suas fotos. Da mesma forma, a medicina passou a
28 ter estudos de natureza estatística e epidemiológica.
Atualmente, quando falamos em prognóstico, falamos
nos possíveis desfechos de uma doença e na
31 frequência com que tais desfechos ocorrerão. E isto
significa usar números, porcentagens: “O senhor tem
80% de chances de ficar curado”. Em uma profissão que
34 inevitavelmente trabalha com um grau de incerteza,
isto é um grande avanço. Mas, muitas vezes, não
satisfaz as necessidades emocionais do paciente. Ele
37 gostaria de saber se está nos 80% que ficarão curados
ou nos outros 20%. E é aí que aquele antigo lado da
medicina, o lado da compaixão, faz-se necessário. Tanto
40 quanto quer diagnóstico e prognóstico precisos, o
paciente quer apoio. A certeza desse apoio é o maior
antídoto contra as incertezas do prognóstico. Números
43 são importantes, mas o afeto também o é.
Moacyr Scliar. A difícil arte do prognóstico.
In: Revista Ser Médico, ed. 50, jan./fev./mar. 2010 (com adaptações).
O vocábulo “resignação” (linha 15) significa o mesmo que
tristeza.
conformação.
desesperança.
inquietação.
relutância.