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Trecho de entrevista com a norte-americana Deborah Rhode, da Universidade de Stanford (Estados Unidos).
Época: Admirar a beleza é instintivo para o ser humano. É factível pensar que uma lei vai mudar isso?
Deborah Rhode: Até certo ponto, nossas preferências são instintivas. Vivemos há milhões de anos em busca de fertilidade e mesmo bebês demonstram preferência por rostos simétricos. Mas reconhecer que há uma base biológica e sociológica para nosso comportamento não quer dizer que não possamos mudá-lo. Até porque algumas das normas atuais da boa aparência não são funcionais do ponto de vista reprodutivo. A preferência por mulheres muito magras é um exemplo. Mulheres muito abaixo do peso têm uma probabilidade muito maior de infertilidade do que as mulheres um pouco acima. Mesmo que alguns comportamentos estejam estabelecidos – como o de se sentir mais confortável entre seus semelhantes de cor, etnia ou sexo –, queremos que as pessoas consigam ir além. Daí a importância das leis.
Época: Quais são as principais causas da busca pela aparência perfeita?
Deborah Rhode: Uma grande parte está relacionada à mídia e às imagens que ela mostra. Mas a indústria de produtos estéticos e de emagrecimento também lucra imensamente fazendo as pessoas acreditarem que há um problema a ser solucionado. É preocupante que nos Estados Unidos não consigamos proibir a venda de produtos que prometem soluções mágicas para emagrecer, por exemplo. Isso é problemático, porque a maioria dos americanos não acredita que as empresas possam fazer essas alegações sem nenhuma comprovação. Existe uma lei contra isso, mas ninguém consegue colocá-la em prática. Então, muita gente é persuadida pela publicidade. E, em alguns casos, os produtos têm efeitos colaterais e não apresentaram resultados bons nos testes.
Época: Qual é o prejuízo causado pelo preconceito baseado na aparência?
Deborah Rhode: Não existe um cálculo simples, porque, além do financeiro, existe o custo psicológico para as pessoas estigmatizadas. Elas sofrem assédio, perdem empregos e promoções. Mas um número relevante é o dinheiro gasto no mundo todo com produtos de beleza e emagrecimento – US$ 200 bilhões por ano. Os economistas também calculam que o prêmio – ou castigo, se preferirmos – por causa da aparência pode chegar a US$ 16 mil por ano para um trabalhador americano. A cultura da beleza viola o sistema de mérito porque ela acaba substituindo habilidade.
(SORG, Letícia. Deborah Rhode. Época, 20/08/2010. Disponível em: https://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0ERT164573-15228- 164573-3934,00.html. Adaptado.)
Pode-se afirmar que as relações entre as formas verbais e seus complementos são equivalentes em todos os trechos destacados a seguir, EXCETO:
“[...] mas ninguém consegue colocá-la em prática.” (4º§)
“[...] normas atuais da boa aparência não são funcionais [...]” (2º§)
“[...] prometem soluções mágicas para emagrecer, por exemplo.” (4º§)
“[...] não acredita que as empresas possam fazer essas alegações [...]” (4º§)