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Em “[...] peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim”...

Leia o texto e responda as questões de 04 a 10.


Furto de flor


Carlos Drummond de Andrade


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.

Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me: – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

Em “[...] peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim”, o advérbio “docemente” indica:


A

O lugar onde o homem pegou a flor.


B

O modo como o homem pegou a flor.


C

O tempo em que o homem pegou a flor.


D

A intensidade com que o homem pegou a flor.