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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 8.
De forma generalizada, pode-se concluir que, em média, nossas diferenças genéticas contribuem em 50% para a diversidade psicológica que há entre as pessoas. O número é enorme para o que é usual nas ciências sociais. Os outros 50% devem ser procurados nas circunstâncias vitais que experimentamos. Mas quais dessas circunstâncias influenciam quem somos psicologicamente? A resposta a essa pergunta é, por enquanto, evasiva. Não há dúvida de que essas circunstâncias devem ser psicologicamente relevantes, mas a tarefa de identificar quais são, concretamente, os fatores ambientais com um impacto sistemático e duradouro sobre os traços que definem nossa personalidade, nossas capacidades ou nossas vulnerabilidades a transtornos mentais — em suma, nossa maneira de ser e de estar no mundo — resultou no que é conhecido como “perspectiva sombria”. Em essência, o que se conclui, pelo menos por enquanto, é que tais fatores ambientais são fundamentalmente pessoais e possuem um caráter eminentemente aleatório.
Enquanto essas circunstâncias mudam ao longo do ciclo da vida (de modo que o que é importante em um período deixa de ser no seguinte, e vice-versa), nosso DNA é sempre o mesmo, com algumas nuances, desde que somos concebidos até deixarmos este mundo. É por isso que se considera que é a nossa estrutura genética, compartilhada em grande parte com os outros seres humanos, mas com ingredientes únicos para cada um de nós, que permite construir os alicerces do que acabará por ser o nosso edifício psicológico.
Embora costumemos nos referir ao genoma humano, é essencial ter em mente que não existem dois genomas iguais. Cada uma das pessoas que já pisou neste planeta se caracteriza por possuir um genoma diferente dos demais (exceto, é claro, os gêmeos idênticos). A grande maioria dos 3 milhões de páginas que contêm as informações do nosso genoma são idênticas em cada um de nós. No entanto, há 1% em que se observam diferenças que contribuem para que alguns sejam mais sociáveis, menos aptos academicamente, mais depressivos, menos violentos ou mais do que outros.
A promessa da ciência de melhorar a compreensão sobre os seres humanos e abrir as portas para novas estratégias para mitigar a dor e o sofrimento físico e psicológico também tem, infelizmente, um lado sombrio. Os rápidos avanços tecnológicos experimentados nas últimas duas décadas estão levando alguns cientistas a flertar com determinadas empresas para obter um lucro rápido com os conhecimentos básicos adquiridos, ignorando suas limitações técnicas e a necessária reflexão ética. Um exemplo disso é a possibilidade de editar genomas humanos, que agora é considerada mais realidade do que ficção.
Caso o que somos psicologicamente tenha uma conexão comprovada com nosso DNA, então seria possível, em princípio, editá-lo para, digamos, sermos mais sociáveis, mais aptos academicamente, menos vulneráveis à depressão, menos violentos. Há quem até comece a se perguntar se, assim como tentamos melhorar as condições de vida das pessoas recorrendo a ações de caráter social, seria adequado contribuir para essas melhorias editando seus genomas, reescrevendo as informações codificadas nesse DNA que nos acompanha durante toda a vida. Certamente, o futuro se apresenta empolgante, embora repleto de questões inquietantes que terão que responder os cientistas, mas também a sociedade como um todo.
(Jornal Metrópoles, 15.07.2025. Adaptado).
*DNA: sigla que designa o ácido desoxirribonucleico, que é um tipo de ácido nucleico que possui destaque por armazenar a informação genética da grande maioria dos seres vivos.
Analise as frases abaixo para responder à questão 2.
Tais fatores ambientais são fundamentalmente pessoais e possuem um caráter eminentemente “aleatório”.
Nosso DNA é sempre o mesmo, com algumas “nuances”.
A promessa da ciência de melhorar a compreensão sobre os seres humanos e abrir as portas para novas estratégias para “mitigar” a dor e o sofrimento.
Assinale a alternativa cujas palavras substituam, respectivamente, os termos acima destacados, sem alterar o sentido das frases.
Casual / sutilezas / endossar.
Contínuo / características / atenuar.
Acidental / excentricidades / exasperar.
Fortuito / matizes / amenizar.