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Leia o poema a seguir:
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Oswald de Andrade, Pau-Brasil. 1925.
A base, para a compreensão do poema Pronominais, de Oswald de Andrade, a partir da intencionalidade discursiva do eu lírico, é um(a)
cacoépia, ao valorizar um vício de linguagem que consiste na pronúncia incorreta de palavras comum à linguagem coloquial.
barbarismo, pois o eu lírico evidencia um vício de linguagem do povo brasileiro, por meio de uma próclise, aquém do ensino institucional da variante de prestígio.
anacoluto, uma vez que há uma quebra da estrutura sintática do verso final, opondo a variante culta (ênclise) à variante estigmatizada da língua portuguesa (próclise).
solecismo, à medida que o eu lírico questiona a superioridade da variante formal da língua em oposição à linguagem popular por meio da colocação pronominal enclítica e proclítica.
silepse, já que, na oposição entre ênclise e próclise, ocorre uma discordância aparente entre os termos que compõem os versos demarcados, mas essa discordância é intencional e aceita.


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