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Todas as alternativas apresentam mudanças na pontuação do...

Leia o texto abaixo para responder às próximas questões:


Gatos não têm nada de traiçoeiros. São muito transparentes, e expõem claramente os seus limites. Cabe a nós respeitá-los

Fui vítima de violência doméstica. Estou com um pequeno corte no lábio inferior, que sangrou tanto, e ficou tão inchado, mas tão inchado, que parecia maior do que a própria boca. Achei que nem ia conseguir gravar o podcast.

Vivo um relacionamento abusivo com Mirtes Gonçalves, a pretinha peluda que chegou no outro dia. Ela tem uma personalidade bipolar. Pede carinho e, quando obedeço, me bate.

A culpa é minha. Isso não é conversa tradicional de vítima de abuso; é fato. A culpa em qualquer situação de estresse entre gatos e humanos é sempre do humano. Gatos não têm nada de traiçoeiros. Ao contrário do que reza a “sabedoria popular”, são muito transparentes, e expõem claramente os seus limites. Cabe a nós respeitá-los.

Acontece que, frequentemente, eu deixo de cumprir essa regra de ouro. Não resisto a uma barriguinha virada para cima, e insisto em pegar no colo quem já disse, praticamente com todas as letras, “Odeio colo!”. É o caso da Mirtes. Que, ainda assim, é muito amorosa, e vive colada em mim. Sim, ela manda sinais trocados — mas eu sou a mais velha e mais experiente da relação, e já percebi que ela tem falhas na comunicação afetiva. Apanho porque mereço, para deixar de ser Felícia.

Por exemplo: temos uma rotina. Sempre que chega alguma coisa pelo elevador da frente — correio, encomendas, comida — ela escapa para o hall, rola no chão e fica esperando que eu a pegue para levar de volta para dentro. Mas, assim que me abaixo para pegá-la, ela me adverte na sua voz esquisitinha e, pelo sim, pelo não, me dá uns tapas; e, no entanto, continua lá esperando. E lá vou eu tentar pegá-la de novo. E de novo.

Isso acontece pelo menos uma vez por dia.

Vivo com os braços arranhados. Já era para ter aprendido e tomado tenência, para ter criado uma outra rotina, para ter feito pelo menos uma cara séria. Mas acho lindo, e dou risada. Sou atiçada pela curiosidade: será que hoje ela se deixa pegar?

O que fazer com uma pessoa tonta como eu? E o que fazer com uma jaguatirica como a Mirtes?

Na verdade, nada. Algumas pessoas são assim — mas, sobretudo, alguns gatos são assim também. Ou porque conviveram pouco com humanos na primeira infância, ou porque conviveram demais e já sabem do que somos capazes. Mirtes tem o rabo quebrado em várias partes, e aposto na segunda hipótese.

Ela ama gente, mas... É muito afetuosa, porém...

É uma gatinha de convivência fácil, desde que ninguém cisme em cutucá-la ou apertá-la quando ela não quer.

Se eu tiver força para resistir ao irresistível, com o tempo vai ficar mais tranquila. Foi assim com a Cátia.cat, foi assim com a Frida Gahto. O caminho eu sei, difícil é me lembrar de que manda quem pode, e obedece quem tem juízo.

[...]


Cora Rónai

Todas as alternativas apresentam mudanças na pontuação do trecho original do texto apresentado abaixo. Em qual das alternativas essas mudanças alteram o seu sentido ou gramaticalidade?


Por exemplo: temos uma rotina. Sempre que chega alguma coisa pelo elevador da frente — correio, encomendas, comida — ela escapa para o hall, rola no chão e fica esperando que eu a pegue para levar de volta para dentro.


Alternativas:


A

Por exemplo, temos uma rotina. Sempre que chega alguma coisa pelo elevador da frente (correio, encomendas, comida) ela escapa para o hall, rola no chão e fica esperando que eu a pegue para levar de volta para dentro.


B

Por exemplo: temos uma rotina. Sempre que chega alguma coisa pelo elevador da frente (correio, encomendas, comida) ela escapa para o hall, rola no chão e fica esperando que eu a pegue para levar de volta para dentro.


C

Por exemplo, temos uma rotina. Sempre que chega alguma coisa pelo elevador da frente; correio, encomendas, comida — ela escapa para o hall, rola no chão e fica esperando que eu a pegue para levar de volta para dentro.


D

Por exemplo: temos uma rotina. Sempre que chega alguma coisa pelo elevador da frente — correio, encomendas, comida; ela escapa para o hall, rola no chão e fica esperando que eu a pegue para levar de volta para dentro.


E

Por exemplo temos uma rotina. Sempre que chega alguma coisa pelo elevador da frente — correio, encomendas, comida — ela escapa para o hall, rola no chão e fica esperando que eu a pegue para levar de volta para dentro.