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“Esboroa a elegância dos modos e da roupa, diante da...

Leia o texto a seguir para responder às questões de 26 a 28.


A nova estética digital


Quem não tem vaidades? E quanto mais celebrados, mais vaidosos – embora alguns disfarcem melhor. O cabelo e a maquiagem das mulheres recebem atenções permanentes. Repetir a mesma roupa? Os homens, à menor oportunidade, acertam o nó da gravata e dão uma olhadinha no cabelo. E têm outras vaidades. Montblanc? Rolex?

Com a pandemia furiosa de Covid-19, agora somos todos atores de televisão, qualquer que seja o evento. Só que não aprendemos a converter nossas vaidades para a realidade da telinha. Vale lembrar, quando Kennedy disputou as eleições com Nixon, antes de ele entrar em qualquer recinto onde houvesse câmeras de televisão, seus prepostos asseguravam que a iluminação estivesse correta. E entrava maquiado. Nixon não se deu conta dessa liturgia e suas olheiras eram exageradas por uma iluminação errada. Parece que essa condição contribuiu para sua derrota.

Pelo abrupto das novidades, as centenas de lives, entrevistas, Zooms e transmissões pelo YouTube são feitas ao arrepio das artes cinematográficas. A maquiagem pode estar impecável. Mas e se a iluminação está horrenda? Carecas brilhando, olhos desaparecidos na escuridão? Podemos ler as lombadas dos livros atrás, mas a cara está fora de foco. Muito longe da câmera, perde-se a expressão facial. Perto demais, expõe o narigão. Luz fluorescente tinge a cara de roxo. Contraluz excessiva faz a imagem enevoada. (...)

Após o trabalhão de aprender a se maquiar, vestir e apresentar, subitamente, isso é apenas a metade. Falta o contrarregra do estúdio cuidando de cada detalhe visual. Na TV, antes da era forçada das lives, nenhum programa ia ao ar com alguém praguejando contra panes na técnica. A eletrônica, sabemos, tanto valoriza a voz maviosa como exagera o timbre esganiçado. Por isso foi sempre preciso gravar antes, com zelo e atenção.

Hoje, não mais. Temos de aprender tudo de novo. Esboroa a elegância dos modos e da roupa, diante da presença de dezenas de tropeços visuais. A epidemia obriga a introduzir outras habilidades na etiqueta e na elegância. Saber apresentar-se na tela de videoconferência passou a fazer parte do nosso repertório de competências sociais.

CASTRO, Claudio Moura. A nova estética digital. Veja. 3 jun. 2020. Disponível em .

“Esboroa a elegância dos modos e da roupa, diante da presença de dezenas de tropeços visuais.”


As palavras destacadas no trecho acima, transcrito do texto, na mesma ordem em que se apresentam, têm o mesmo sentido de:


A

“Desmorona-se” e “embaraços”.


B

“Valoriza-se” e “obstáculos”.


C

“Esfarela-se” e “riquezas”.


D

“Enriquece” e “estorvos”.


E

“Desfaz-se” e “charmes”.