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Texto para os itens de 1 a 11.
Autobiografia sem fatos
1 A maioria dos homens vive com espontaneidade
uma vida fictícia e alheia. “A maioria da gente é outra
gente”, disse Oscar Wilde, e disse bem. Uns gastam a
4 vida na busca de qualquer coisa que não querem;
outros empregam-se na busca do que querem e lhes
não serve; outros, ainda, se perdem.
7 Mas a maioria é feliz e goza a vida sem isso valer.
Em geral, o homem chora pouco, e, quando se queixa,
é a sua literatura. O pessimismo tem pouca viabilidade
10 como fórmula democrática. Os que choram o mal do
mundo são isolados — e se choram, é pelo próprio mal.
Um Leopardi, um Antero não têm amado ou amante?
13 O universo é um mal. Um Vigny é mal ou pouco
amado? O mundo é um cárcere. Um Chateaubriand
sonha mais que o possível? A vida humana é tédio. Um
16 Jó é coberto de bolhas? A terra está coberta de bolhas.
Pisam os calos do triste? Ai dos pés dos sóis e das
estrelas.
19 Alheia a isto, e chorando só o preciso e no menos
tempo que pode — quando lhe morre o filho que
esquecerá pelos anos fora, salvo nos aniversários;
22 quando perde dinheiro, e chora enquanto não arranja
outro, ou se não adapta ao estado de perda —, a
humanidade continua digerindo e amando. A
25 vitalidade recupera e reanima. Os mortos ficam
enterrados. As perdas ficam perdidas.
Quando vejo um gato ao sol lembra-me sempre
28 do homem ao sol.
Fernando Pessoa. Livro do Desassossego. São Paulo:
Companhia de Bolso, 2023 (com adaptações).
A respeito do texto precedente, de suas ideias e de seus aspectos linguísticos, julgue os itens subsequentes.
Por ser composto de verbo e nome, o tipo de predicado apresentado nas orações “O universo é um mal.”, “O mundo é um cárcere.” e “A vida humana é tédio.” é verbo-nominal.
Certo
Errado