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Gramaticalmente, classifica-se como indeterminado o sujeito...

Texto para os itens de 1 a 14.


1 O ponto de venda mais forte do condomínio era

a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, os

playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo,

4 segurança.

Toda a área era cercada por um muro alto. Havia

um portão principal com muitos guardas que

7 controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só

entravam no condomínio os proprietários e visitantes

devidamente identificados e crachados.

10 Mas os assaltos começaram assim mesmo.

Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.

Os condôminos decidiram colocar torres com

13 guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As

inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de

entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a

16 usar crachá. Os proprietários e seus familiares também.

Não passava ninguém pelo portão sem se identificar

para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.

19 Mas os assaltos continuaram.

Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos,

mas no fim todos concordaram. O mais importante era

22 a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em

cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse,

atrairia para o local um batalhão de guardas com

25 ordens de atirar para matar.

Mas os assaltos continuaram.

Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito.

28 Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e

o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a

segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do

31 perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as

janelas foram engradadas.

Mas os assaltos continuaram.

34 Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem

de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham

entrado no condomínio no banco de trás do carro de

37 um proprietário, com um revólver apontado para a sua

nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro

roubado, com crachás roubados. Além do controle das

40 entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das

saídas. Para sair, só com um exame demorado do

crachá e com autorização expressa da guarda, que não

43 queria conversa nem aceitava suborno.

Mas os assaltos continuaram.

Foi reforçada a guarda. Construíram uma

46 terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais

coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma

chamada área de segurança máxima. E foi tomada

49 uma medida extrema. Ninguém pode entrar no

condomínio. Ninguém. Visitas, só num local

predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância

52 e por curtos períodos. E ninguém pode sair.

Agora, a segurança é completa. Não tem havido

mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu

55 patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só

conseguem espiar através do grande portão de ferro e

talvez avistar um ou outro condômino agarrado às

58 grades da sua casa, olhando melancolicamente para a

rua.

Mas surgiu outro problema.

61 As tentativas de fuga. E há motins constantes de

condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a

liberdade.

64 A guarda tem sido obrigada a agir com energia.



VERÍSSIMO, Luís Fernando. Segurança. In: Ana Maria Machado. (org.)

Comédias para se ler na escola. 1.ª ed. Editora Objetiva, 2001

(com adaptações).


Acerca de aspectos gramaticais e dos sentidos do texto apresentado, julgue os seguintes itens.

Gramaticalmente, classifica-se como indeterminado o sujeito da oração “Não passava ninguém pelo portão” (linha 17).


C

Certo


E

Errado