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A importância de olhar para a pessoa que você está ouvindo
Por J. J. Camargo
01 ___ pressa tem sido atribuída a superficialidade das relações humanas, com repercussão
02 imediata na crescente dificuldade de ouvir, que foi minguando a relação médico/paciente e
03 empobrecendo criticamente a aproximação afetiva entre duas pessoas reunidas pela
04 aleatoriedade da doença, que forçou o encontro de dois desconhecidos e que,
05 independentemente da formação cultural deles, naquele instante não serão mais do que duas
06 pessoas.
07 O impacto emocional do diagnóstico, o tamanho do risco envolvido, o tempo de convívio
08 e o desfecho do tratamento contribuirão para o estabelecimento de vínculos afetivos tão variados
09 quanto são diferentes as reações humanas em situações semelhantes. Esse vínculo pode ser tão
10 superficial quanto aquele que resulta no esquecimento do nome de ambos. Mas outras vezes, e
11 para encantamento mútuo, a vivência dramática compartilhada com intensidade por duas
12 criaturas sensíveis pode resultar em amizade definitiva, cultivada com ternura e gratidão.
13 Quando revisamos o início dessas relações especiais que, com sobradas razões, serão
14 guardadas com carinho definitivo no nosso arquivo emocional, concluímos que a primeira
15 entrevista abriu o caminho. E que a conquista ou eventual repulsa que dela resultaram
16 dependeram da nossa capacidade de ouvir — ou da falta dela.
17 Há muitos anos, quando entreguei a prescrição e lhe ofereci a mão para a despedida,
18 uma velhinha, muito debochada, me surpreendeu: “Sei que esse nosso amor vai dar certo,
19 porque você ouve com os olhos”. Hoje, com certeza, ela seria convidada a dar aula no nosso
20 curso, A Medicina da Pessoa, por conta dessa lição que lá atrás me pareceu despretensiosa, mas
21 que o tempo consagrou como duradoura.
22 Quando o paciente se queixa que “o doutor só olhava para o computador”, ele está certo:
23 na ausculta integral, os olhos são imprescindíveis. Não querendo ser inflexível, e admitindo
24 exceções, em princípio não confio que esteja mesmo ouvindo quem não olha para a pessoa que
25 está falando. No momento mágico da escrita, não dá para fazer duas coisas ao mesmo tempo.
26 E nenhuma conversa se completa se a linguagem corporal for excluída.
27 Por outro lado, nossos olhos são os melhores sensores para louvar a emoção ou delatar
28 a hipocrisia, porque enxergam além do que consideramos ver. Como observaram os responsáveis
29 pela seleção de candidatos ___ executivos de uma grande multinacional que, colocando um
30 poderoso zoom no olho dos candidatos, identificavam instantaneamente os dispensáveis. Ótimos
31 currículos não compensam córneas secas diante de um relato emocionante.
32 Além disso, os desprovidos de inteligência emocional são péssimos gestores de pessoas,
33 não importa o quanto sejam tecnicamente qualificados. ___ menos que a tarefa destinada não
34 inclua a interação com a vulnerabilidade de seres humanos em sofrimento.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo/noticia/2025/10/a-importancia-de-olhar-para-a-pessoa-que-voce-esta-ouvindo-cmgtg6zdy01lh016bhrn1oy9a.html – texto adaptado
especialmente para esta prova).
Analise o trecho abaixo, retirado do texto, e relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as ocorrências da palavra “que” indicadas no trecho à sua classificação.
“Quando revisamos o início dessas relações especiais que (1), com sobradas razões, serão guardadas com carinho definitivo no nosso arquivo emocional, concluímos que (2) a primeira entrevista abriu o caminho. E que (3) a conquista ou eventual repulsa que (4) dela resultaram dependeram da nossa capacidade de ouvir — ou da falta dela”.
Coluna 1
1. Conjunção integrante.
2. Pronome relativo.
Coluna 2
( )que (1).
( )que (2).
( )que (3).
( )que (4).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
1 – 2 – 1 – 2.
2 – 1 – 1 – 1.
1 – 2 – 2 – 1.
2 – 1 – 1 – 2.
2 – 1 – 2 – 2.