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Considerando o emprego dos tempos verbais ao longo do...

Logo ali


Por Helô Bacichetti


  1. Há distâncias que cabem numa esquina. O longe, ___ vezes, é só um tempo que se
  2. encolhe, um retrato que sorri do nada, um nome que volta sem ser chamado. A gente caminha
  3. quilômetros sem sair do lugar, porque dentro da memória, as distâncias se redesenham. Quando
  4. o longe é logo ali, não é o espaço que importa, mas a sensação de que o que parecia distante
  5. está mais perto do que se imagina.
  6. Moro num estado que já nasce grande no nome. O que chamam de rio grande é também
  7. terra grande do Sul: campos que se estendem até onde o olhar alcança, serras que recortam o
  8. horizonte e estações que mudam quase de repente, como se as horas carregassem as quatro
  9. num só dia.
  10. Quando eu era criança, saía com meus primos para nadar no rio Tomé, em Cazuza
  11. Ferreira. Um deles sempre dizia, quando se tratava de distância, que era logo ali. Mas esse “logo
  12. ali” era um longe que cansava as pernas, e ainda assim, parecia perto quando a gente ria pelo
  13. caminho. Descobri cedo que a distância não é igual para todos: depende da pressa, da
  14. companhia, até do humor.
  15. Barbosa Lessa, que fez da tradição gaúcha sua matéria de escrita, lembrava desses
  16. modos de medir o mundo. O tropeiro dizia que o destino estava “a duas mateadas de distância”.
  17. Outro, quando lhe perguntavam se faltava muito, respondia: “Bah, guri, é ali adiante. Mas não
  18. te apura, que a pressa só faz o pingo suar antes da hora”. Assim, para o campeiro, longe e perto
  19. deixam de ser coordenadas e se transformam em conversa, pausa e paisagem.
  20. Alguns dias atrás, percorri cidades que, para mim, guardam uma distância incalculável.
  21. De Caxias ___ Uruguaiana, depois Alegrete, São Borja, de lá para Porto Alegre e, por fim, de
  22. Porto Alegre de volta para Caxias. Olhando as paisagens pelo caminho, percebi algo curioso:
  23. mesmo sendo tão distantes da minha verdadeira origem, eu me via naquele percurso. Enquanto
  24. o caminho se desdobrava, cada curva da estrada, cada rio e cada horizonte pareciam me lembrar
  25. de que, em alguns momentos, a distância não se mede em quilômetros, mas em familiaridade
  26. que carregamos dentro de nós.
  27. Tenho em meu sangue, como tantos brasileiros, traços italianos, indígenas, alemães,
  28. franceses e portugueses. Talvez por isso me sinta um pouco nômade, sempre disposta ___
  29. abraçar um pedaço do coração de cada cidade. No fundo, aprendi que o mundo é maior do que
  30. qualquer mapa e que a verdadeira grandeza está em reconhecer-se nos caminhos e pertencer,
  31. ainda que um pouco, a todos os lugares por onde se passa.


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2025/09/logo-ali-cmfreezeq02h4014yt2jak6ia.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego dos tempos verbais ao longo do texto, analise as assertivas a seguir:


I. No segundo parágrafo, a autora emprega verbos no presente do indicativo a fim de descrever o estado em que vive na atualidade, algo que é perene.

II. No terceiro parágrafo, a autora emprega a maioria dos verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo a fim de imprimir um caráter de possibilidade ao que narra.

III. No quinto parágrafo, ao narrar fatos vividos por ela, a autora alterna entre o uso do pretérito perfeito e do imperfeito do indicativo.


Quais estão corretas?


A

Apenas I.


B

Apenas I e II.


C

Apenas I e III.


D

Apenas II e III.


E

I, II e III.