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Texto para as questões 01 a 07:
Razão
(Ramires Linhares)
A idiotice não é ausência de inteligência, é recusa. Um ato voluntário de quem escolheu proteger a própria ignorância como se fosse identidade.
Há quem confunda paz com silêncio. Um silêncio que não nasce da serenidade, mas desta recusa. É a escolha de fechar os olhos diante da claridade, como quem prefere a sombra confortável da ignorância a encarar o brilho incômodo da verdade.
A idiotice, então, não é ausência de luz, mas a cortina puxada com força para não deixar que ela entre. É uma teimosia disfarçada de convicção. E nada é mais perigoso do que uma certeza sem raízes.
O homem, dizia Pascal, é um caniço pensante: frágil, mas feito para a razão. Quando abandona esse dom, se transforma em pedra, dura, imóvel, incapaz de florescer. E toda estagnação é um prelúdio da morte.
O idiota não escuta, não contempla, não se permite a dúvida. Grita verdades frágeis como castelos de areia, que desmoronam ao primeiro sopro do vento. Mas, para ele, pouco importa: desde que o orgulho permaneça de pé, pode-se varrer a verdade para debaixo do tapete.
Schopenhauer afirmou que a verdade passa por três estágios: é ridicularizada, depois combatida, e, por fim, aceita como óbvia. Mas os idiotas nunca a encontram, porque se perdem antes de iniciar o caminho.
Por isso, talvez, viver de verdade seja manter acesa a centelha da dúvida, mesmo quando ela incomoda. É suportar o clarão da luz, mesmo quando cega por instantes. É não se contentar com a falsa paz da ignorância, mas escolher a inquietação da busca.
Porque só quem aceita duvidar descobre, afinal, que a alma também respira pela razão.
Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/razao-37719
Leia o fragmento:
“Um silêncio que não nasce da serenidade (...).”
Caso o verbo destacado na oração fosse conjugado no tempo futuro do pretérito do modo indicativo, a correta transcrição da oração seria:
Um silêncio que não nascera da serenidade.
Um silêncio que não nascerá da serenidade.
Um silêncio que não nasceria da serenidade.
Um silêncio que não nascia da serenidade.
Nenhuma das alternativas anteriores.