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Texto 1
CARTA DO SANTO PADRE FRANCISCO SOBRE O PAPEL DA LITERATURA NA EDUCAÇÃO
Papa Francisco
Muitas vezes, no tédio das férias, no calor
e na solidão dos bairros desertos, encontrar um
bom livro para ler torna-se um oásis, afastando-
nos de outras escolhas que são nocivas. Na
5 verdade, não faltam momentos de cansaço,
irritação, desilusão, fracasso e, quando nem
sequer na oração conseguimos encontrar o
sossego da alma, pelo menos, um bom livro ajuda-
nos a enfrentar a tempestade, até que possamos
10 ter um pouco mais de serenidade. Talvez essa
leitura abra novos espaços interiores, capazes de
evitar o encerramento naquelas poucas ideias
obsessivas que nos enredam inexoravelmente.
Antes da omnipresença dos media, das redes
15 sociais, dos telemóveis e de outros dispositivos,
essa era uma experiência frequente, e quem a
viveu sabe bem do que estou a falar. Não se trata
de algo ultrapassado.
Ao contrário dos meios audiovisuais, onde
20 o produto é mais completo, e a margem e o tempo
para “enriquecer” a narrativa ou para a interpretar
são geralmente reduzidos, o leitor é muito mais
ativo quando lê um livro. De certo modo,
reescreve-o, amplia-o com a sua imaginação, cria
25 um mundo, usa as suas capacidades, a sua
memória, os seus sonhos, a sua própria história
cheia de dramatismo e simbolismo; e assim surge
uma obra muito diferente daquela que o autor
pretendia escrever. Uma obra literária é, portanto,
30 um texto vivo e sempre fértil, capaz de falar de
novo e de muitas maneiras, capaz de produzir
uma síntese original com cada leitor que encontra.
Este, enquanto lê, enriquece-se com o que recebe
do autor, mas isso permite-lhe, ao mesmo tempo,
35 fazer desabrochar a riqueza da sua própria
pessoa, pois cada nova obra que lê renova e
expande o seu universo pessoal.
A literatura tem a ver com o que cada um
de nós deseja da vida, uma vez que entra numa
40 relação íntima com a nossa existência concreta,
com as suas tensões essenciais, com os seus
desejos e os seus significados.
Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2024/documents/20240717-lettera-ruolo-letteratura-formazione.html Acesso em: 16 jun. 2025. Fragmento adaptado.
Leia o fragmento a seguir para responder às questões 04 e 05:
“Na verdade, não faltam momentos de cansaço, irritação, desilusão, fracasso e, quando nem sequer na oração conseguimos encontrar o sossego da alma, pelo menos, um bom livro ajuda-nos a enfrentar a tempestade, até que possamos ter um pouco mais de serenidade.” (Linhas 4-10)
O verbo sublinhado em “Na verdade, não faltam momentos de cansaço, irritação, desilusão, fracasso...” está no plural porque
rege o termo “momentos de cansaço, irritação, desilusão, fracasso”.
refere-se a um complemento composto: “momentos de cansaço, irritação, desilusão, fracasso”.
indica um sujeito indeterminado, impossível de ser identificado.
concorda com o termo “momentos de cansaço, irritação, desilusão, fracasso”.
nesse caso, é considerado impessoal e, portanto, deve ficar na 3ª pessoa.