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Símbolos Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento do...

Símbolos

Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento

do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua...

Um símbolo descubro aqui, neste momento

esta rocha, este mar... a minha vida e a tua.

O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento

de quem maltrata e, após, se arrepende e recua.

Como compreendo bem da rocha o sentimento!

São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua.

Contemplo neste quadro a nossa triste vida;

tu és dúbio mar que, na sua inconsciência,

tem carinhos de amor e fúrias de demência!

Eu sou a dor estanque, a dor empedernida,

sou rocha a emergir de um côncavo de areia,

imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.

MACHADO, G. Poesia completa. Rio de Janeiro:

Cátedra/MEC, 1978.

Nesse soneto, os traços da estética simbolista são resgatados pelo eu lírico ao


A

rejeitar as emoções de “amor” e “mágoa”.


B

expressar a dubiedade do olhar sobre o outro.


C

representar o “eu” e o “tu” como sujeitos volúveis.


D

associar a sua inconsciência a elementos da natureza.


E

metaforizar o conflito amoroso nas imagens de “mar” e “rocha”.