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Leia o texto a seguir para responder às questões de 38 a 42:
Se o Sacro ardor, que ferve no meu peito,
Não me deixa enganar, vereis que um dia
(Vivendo esse impostor) por seu respeito
Se encherá de Emboabas a Bahia.
Pagaram os Tupis o insano feito,
E vereis entre a bélica porfia
Tomar-lhe esses estranhos, já vizinhos,
Escravas as mulheres c’os filhinhos.
Vereis as nossas Gentes desterradas
Entre os tigres viver no sertão fundo.
Cativa a plebe, as tabas arrombadas,
Levando para além do mar profundo
Nossos filhos, e filhas desgraçadas;
Ou, quando as deixem cá no nosso mundo,
Poderemos sofrer, Paiaiás bravos,
Ver filhos, pais e mães feitos escravos?
(Frei José de Santa Rita Durão, Caramuru. Em: Antonio Candido.
Formação da Literatura Brasileira (volume único), 2000)
Alfredo Bosi (História concisa da Literatura Brasileira, 1997) pondera que a poética de Caramuru se caracteriza por
ter superado os modelos clássicos, pois se define como uma arte de transformação, seja no estilo de versos criados com liberdade métrica, seja no conteúdo, com apelo a temas nacionais.
colocar o índio na perspectiva da literatura nacional, como símbolo de valores humanos e de comportamento que muito superavam os dos homens europeus que vieram colonizar o Brasil.
reproduzir com fidelidade os modelos e os valores clássicos, tendo como referência a poesia de Luiz Vaz de Camões, da qual se apropria e transforma com ênfase no maravilhoso pagão.
ser híbrida, com esquemas camonianos ressignificados com a presença do maravilhoso cristão e da tradição colonial-barroca com profusão de enumerações da flora tropical.
opor-se às inovações propostas pela literatura árcade, que se mantinha fiel aos módulos clássicos e às hierarquias mentais da Contra-Reforma, resistindo às inovações da linguagem.