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Quase como um filme de ficção cientifica, Yuste afirmou que...

Leia atentamente o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.


Cérebro sozinho é mais potente que toda a internet, diz cientista Rafael Yuste


Um único cérebro humano, formado por bilhões de

neurônios, tem mais potência do que toda a internet no

mundo.

É com essa premissa que Rafael Yuste, nomeado um

5 dos cientistas mais influentes do mundo pela revista Nature,

iniciou sua reflexão no ciclo do Fronteiras do Pensamento,

em São Paulo, nesta segunda-feira.

"Todas as atividades cognitivas são definidas pelo

cérebro", lembrou o cientista, que defendeu os estudos do

10 órgão, cujo funcionamento segue misterioso para a ciência,

como imprescindível para o avanço no tratamento de

doenças neurológicas, psiquiátricas e até motoras – como

Alzheimer, depressão, esquizofrenia e esclerose lateral

múltipla. "Hoje os médicos podem fazer pouco pelos

15 pacientes porque não entendem o cérebro", defendeu.

Os avanços no conhecimento do órgão estão,

segundo ele, em estudar a atividade coordenada dos

neurônios, e não molécula por molécula – desafio grande

até hoje, devido à falta de tecnologia.

20 A neurotecnologia, explica Yuste, é formada por

dispositivos eletrônicos, óticos, moleculares e magnéticos.

"Eles servem para registrar a atividade neuronal e alterá-la",

diz.

Muitas dessas tecnologias já estão sendo usadas

25 em testes com ratos e conseguiram introduzir, no cérebro

dos bichos, imagens que não estavam vendo ou memórias

de fatos que não viveram.

Em humanos, o avanço dessas técnicas poderia

permitir que pessoas com paralisia mexam membros

30 robóticos por meio de um implante cerebral, por exemplo,

ou possibilitar a comunicação com uma pessoa com

Alzheimer que não consegue mais falar, decodificando seus

pensamentos.

Mas a neurotecnologia, que passa por uma

35 "revolução", segundo Yuste, não servirá apenas para tratar

doenças. Em breve os humanos estarão usando esse tipo de

tecnologia também para se comunicar, como que por

telepatia, e para usar equipamentos – tornando-se, então,

"humanos maiores".

40 Yuste admitiu que há muitos problemas éticos e

sociais com a implementação dessas tecnologias, motivo

pelo qual diversos cientistas envolvidos no projeto se

reuniram na Universidade Columbia, nos Estados Unidos,

chegando a uma defesa da reformulação da Declaração

45 Universal dos Direitos Humanos para incluir normas de

proteção ao cérebro humano do uso indevido da

neurotecnologia.

Quase como um filme de ficção científica, Yuste

afirmou que o direito à privacidade mental, para que o

50 conteúdo da mente não seja decodificado sem

consentimento, estaria em risco sem a atualização do código

internacional. O mesmo acontece com o direito à

"identidade mental" e ao livre arbítrio.

O cientista citou também o direito ao acesso

55 equitativo às tecnologias de aumento cognitivo, "para evitar

que tenham humanos melhorados e humanos que sem

acesso a isso".

Para pôr em prática a proteção desses direitos, seria

necessária também a investigação de empresas privadas de

60 neurotecnologia. "Empresas já estão agindo como donas

dos dados cerebrais coletados", alertou.

O Chile já elaborou uma emenda à Constituição

para proteger dados cerebrais e no Brasil poderá acontecer

o mesmo. Yuste disse que a possibilidade está sendo

65 discutida com o senador Randolfe Rodrigues. "Precisamos

nos assegurar que essas técnicas tão potentes sejam usadas

em benefício da humanidade", concluiu Yuste.


(Alessandra Monterastelli. https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/07/novos-direitos-humanos-sao-urgentes-para-proteger-o-cerebro-humano-afirma-rafael-yuste.shtml. 4.jul.2023)

Quase como um filme de ficção cientifica, Yuste afirmou que o direito à privacidade mental, para que o conteúdo da mente não seja decodificado sem consentimento, estaria em risco sem a atualização do código internacional. (L.48-52)


A ocorrência do QUE sublinhada no período acima se classifica como


A

preposição.


B

conjunção integrante.


C

pronome relativo.


D

conjunção coordenativa.