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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 26 a 33.
"Vamo pro sítio! Vamo pro sítio!"
Não estou sonhando quando escuto a mamãe entrar no quarto cantando aquela frasezinha. Em poucos segundos, meu corpo desperta numa explosão de euforia. Aquelas palavras significam que o final de semana promete ser maravilhoso: em breve, estarei indo para o sítio dos meus avós.
Malas prontas, brinquedos separados e o carro já na estrada. Entre risadas e brigas com meu irmão, seguimos viagem. Quando o rastro de poeira surge na estrada vermelha e o som do Bon Jovi ecoa, sei que chegamos.
A casa está igual: a rede no mesmo lugar, o cheiro de frango na cozinha, o pé de manga crescendo. Tudo parece normal, mas há uma estranha sensação de vazio. Cadê a missa na televisão, o terço da vovó, o barulho do chinelo arrastando e as risadas vindas do fogão? Tudo sumiu.
Percebo que o mundo inteiro estava ali — entre o cheiro de frango e o som da missa. Nunca imaginei pisar ali pela última vez. Acho que é hora de aceitar que precisamos encontrar outras receitas, outros caminhos e outras brincadeiras.
Texto Adaptado
AFFONSO, Renan. Vamo pro sítio! Vamo pro sítio! In: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Livros Abertos USP: coletânea de textos literários contemporâneos. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2022. Disponível em:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 691/1544/6178 . Acesso em: 4 nov. 2025.
A frase "Vamo pro sítio! Vamo pro sítio!" foi dita pela mãe do narrador e representa uma forma comum de falar em situações informais, do dia a dia. Esse tipo de uso da linguagem é um exemplo de variação linguística. Nesse sentido, pode-se afirmar que:
Essa construção mostra que o português falado está se distanciando da norma culta, e por isso precisa ser evitada em qualquer tipo de situação, inclusive nas literárias e artísticas.
A frase está gramaticalmente errada e, por isso, não poderia aparecer em nenhum tipo de texto, mesmo que seja uma fala comum de uma personagem.
O trecho apresenta uma variação de ordem informal, típica da linguagem oral, e está adequada ao contexto da fala espontânea, sem que isso represente erro, pois há diferentes formas legítimas de usar a língua.
A variação linguística ocorre aqui porque o falante é de origem rural, e pessoas do campo costumam usar uma forma errada da língua, o que deve ser corrigido sempre.