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INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder às questões de 1 a 10.
TEXTO I
Como papéis picados viraram um
clássico da literatura infantojuvenil
Bruno Molinero
O escritor e ilustrador Leo Lionni conta que estava com os netos num trem em Nova York, nos anos 1950, quando percebeu que as duas crianças estavam ficando muito agitadas dentro do vagão. Nascido na Holanda — antes de morar na Itália e nos Estados Unidos — o autor então abriu a sua pasta, tirou lá de dentro um exemplar da revista Life, picotou uma das páginas, chamou os netos e anunciou: “Vou contar uma história”.
Ninguém ali sabia — nem o autor, nem as crianças, muito menos os demais passageiros que presenciaram a cena —, mas naquele instante nascia um clássico: “Pequeno Azul e Pequeno Amarelo” foi publicado originalmente em 1959 e ganha agora uma edição no Brasil pela editora Livros da Matriz.
O livro marca a estreia de Lionni na literatura infantojuvenil e usa papéis coloridos e picotados para contar a história das duas cores do título. Azul e Amarelo são amigos, brincam de esconde‑esconde, fazem ciranda e pulam juntos sem parar. Num dia, porém, Azul não encontra Amarelo. Quando finalmente acha o colega, os dois se abraçam.
É nesse encontro de cores e formas que algo ao mesmo tempo simples e surpreendente acontece. Os dois personagens se unem, transformando‑se em uma nova figura, resultado da soma de ambos. Agora já não são apenas Azul ou Amarelo — juntos, tornam‑se o Verde.
A obra parte de algo simples e que todos nós aprendemos na pré‑escola, quando misturamos tintas e descobrimos que o verde é resultado da soma de azul e amarelo.
Sobre o que fala o livro, afinal? Sobre a amizade entre duas crianças? Um relacionamento amoroso? A construção da própria identidade? O respeito às diferenças e, mais do que isso, o aprendizado com o outro? O estar aberto ao mundo, sem ficar encastelado dentro das próprias certezas? Tudo isso ao mesmo tempo?
Se fosse lançado atualmente e não tivesse mais de 65 anos, “Pequeno Azul e Pequeno Amarelo” ainda seria considerado um livro ousado. Ele quebra uma coleção de padrões da literatura para crianças e jovens, com personagens que não são figurativos nem têm os contornos de animais fofos ou heróis recheados de virtudes. A rigor, Azul e Amarelo nem têm nomes. E, embora sejam peças de um arco narrativo padrão, com começo, meio e fim reconfortante, fica claro que tudo ali é uma representação, com mais coisas entre a cor e o texto do que enxergamos na superfície.
Mas a ousadia não está apenas na história. Está sobretudo na forma. A obra segue à risca a definição de livro ilustrado, no qual imagem e palavra não podem ser separadas. Ao tirar qualquer um dos dois, tudo desmorona.
Só que o autor faz isso com cores, rasgos e formas geométricas. No fundo, estamos diante de uma narrativa abstrata para as infâncias, o que desloca o olhar do leitor, quebrando a preguiça e o piloto automático. É como se o autor a todo instante afirmasse: olha, uma história infantil também pode ser contada desse jeito.
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,
Folhinha, 5 jun. 2024, p. C 35.
Releia o trecho do texto I a seguir.
“... embora sejam peças de um arco narrativo padrão, com começo, meio e fim reconfortante...”
O plural do termo em destaque está corretamente apresentado em:
começo, meios e fim reconfortante
começo, meio e fim reconfortantes
começos, meio e fins reconfortante
começos, meios e fins reconfortantes