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No trecho "As luzes desordenadas da cidade bailavam...

O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 21 a 28.


Convite


Chaves? Chaves. Onde estaria a chave do apartamento? Porta aberta, finalmente. Um misto de alívio e inquietude. A porta trancada. Não, não haveria nenhuma refeição. Coisas jogadas sobre a mesa. Sentou-se na beirada do sofá e olhou a triste mobília que, calada, compunha o cenário de tantos momentos. O silêncio era permeado por sons citadinos: a cidade grande e suas melodias de sirenes, buzinas e toda sorte de ruídos de uma grande metrópole.

Manteve as roupas do trabalho. Entrar no quarto? Não! Não havia coragem para tal. Ficou habitando a sala, preso àquele espaço que parecia mais seguro do que qualquer outra parte da casa. Decidiu quebrar aquela atmosfera opressiva. Uma música! Excelente. Pegou o disco da sua intérprete favorita e começou a ouvir.

Olhou então para uma garrafa empoeirada de uma bebida qualquer, recebida durante uma celebração da qual nem recordava. Por que não a abrir agora? Fora guardada para uma comemoração qualquer, guardada tempo demais. Serviu-se, bebeu, e seus pensamentos o levaram ao diálogo final: o fim da promessa de "felizes para sempre".

Seria sua primeira noite só. Não! Estava acompanhado dos impensáveis caminhos que poderiam, juntos, ter tomado. Seria ele o culpado? Na verdade, haveria algum culpado? Jamais saberia. A voz dramática da intérprete penetrava cada canto vazio daquele lugar — inclusive os mais profundos e indescritíveis sentimentos com os quais precisava lidar.

A sobriedade dava lugar aos borrões que se pintavam diante de sua mente. Os sorrisos, as dores, cada detalhe estava convidado para aquele momento. Os olhos da alma lacrimejavam cada vez mais, entre risos nervosos. Com o copo na mão, seguiu até a sacada do apartamento. A brisa do décimo andar o envolvia. Ela, a brisa, o convidava a bailar. As luzes desordenadas da cidade bailavam também.

Decidiu, em um louco ato de coragem, aceitar o convite da dança. Envolto pela brisa, deixando a solidão para trás, atirou-se para bailar com o infinito.


Texto Adaptado

LAFORCE, Juari. Convite. In: Fundação Indaialense de Cultura. 80 contos: volume 6. Indaial: FIC, 2021. Disponível em: https://www.ficindaial.com.br/fundacao/wp-content/uploads/2021/10/E-BOOK-80-CONTOS-6.pdf . Acesso em: 16 nov. 2025.

No trecho "As luzes desordenadas da cidade bailavam também.", o adjetivo "desordenadas" apresenta estrutura morfológica que revela um processo de formação relacionado à modificação do sentido básico do radical "ordem". Considerando os mecanismos de formação de palavras no português, assinale a alternativa que identifica corretamente o processo predominante na construção do vocábulo.


A

Vocábulo formado por derivação imprópria, uma vez que "ordem" muda de classe gramatical sem alteração formal, tornando-se adjetivo no contexto.


B

Palavra formada por derivação sufixal, com acréscimo do sufixo "-adas" ao radical "ordem", conferindo sentido resultativo ao adjetivo.


C

Forma derivada por prefixação e sufixação, com acréscimo simultâneo do prefixo "des-" e do sufixo "-adas", modificando o sentido do radical "ordem" e atribuindo caráter negativo ou de ausência ao adjetivo resultante.


D

Palavra resultante de composição por justaposição, unindo dois radicais autônomos — "des" e "ordem" — sem perda fonética, formando um adjetivo composto.