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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 21 a 30.
A Batalha das Pipocas
Aprendi cedo que o cinema podia ser uma verdadeira zona de guerra. Quando eu tinha 5 anos, cada fileira parecia uma trincheira, e as mãos cheias de pipoca funcionavam como munição prestes a estourar. Por isso, eu sempre subia as escadas agarrada a quem estivesse à minha frente, acreditando que qualquer um poderia servir de escudo humano.
Aos 10 anos, eu e minha prima finalmente conseguimos permissão para assistir sozinhas a um lançamento infantil. Ela, porém, cometeu o erro fatal de me deixar sozinha para comprar refrigerante. Caminhei até a penúltima fileira desviando das pipocas pelo chão e tentando ajustar os óculos 4D, lembrando-me de que cada passo era parte da missão de sobrevivência.
Sentei-me na cadeira K47, suando sob o suéter que prometia pouca proteção. A sessão estava quase vazia, e eu segurava meu pequeno saco de pipoca como quem guarda a última defesa possível. Foi então que ouvi pessoas se acomodando atrás de mim.
O filme começou, mas permaneci alerta. O homem que chegara por último desequilibrou-se, e seus dois sacos de pipoca tombaram de uma vez. Vi, em câmera lenta, os milhos − estourados apenas uma vez − despencando rumo ao meu colo. Eu já sabia: naquele instante, a batalha recomeçava.
Texto Adaptado
VENTURA, Eduarda dos Reis. A batalha das pipocas. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir [recurso eletrônico]. n. 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1095/1000/3699 . Acesso em: 2 dez. 2025.
Com base nas regras de acentuação gráfica previstas na ortografia oficial da língua portuguesa, analise as justificativas para a acentuação das palavras destacadas no trecho "Sentei-me na cadeira K47, suando sob o suéter que prometia pouca proteção. A sessão estava quase vazia, e eu segurava meu pequeno saco de pipoca como quem guarda a última defesa possível". Em seguida, assinale a alternativa correta.
"Suéter" recebe acento por ser paroxítona terminada em "r"; "última" é proparoxítona, portanto acentuada por regra geral; "possível" é acentuada por ser paroxítona terminada em "l".
"Suéter" é acentuada por conter hiato tônico em posição final; "última" é oxítona com acento diferencial; "possível" é acentuada por apresentar oxítona terminada em "l".
"Suéter" é acentuada por ser uma palavra paroxítona terminada em "r"; "última" é proparoxítona e, por isso, obrigatoriamente acentuada; "possível" é acentuada por conter um ditongo aberto decrescente na sílaba final.
"Suéter" é acentuada por ser oxítona terminada em "r"; "última" é acentuada por conter vogal aberta na penúltima sílaba; "possível" recebe acento por ter ditongo oral decrescente acentuado na antepenúltima.