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No uso da norma culta da língua portuguesa, a colocação dos pronomes oblíquos átonos configura um sistema gramatical que, embora regulado por preceitos normativos, é sensível às condições sintáticas e estilísticas do enunciado. As opções entre próclise, ênclise e mesóclise decorrem não apenas de fatores morfossintáticos, mas também de valores textuais, estilísticos e rítmicos, cujas nuances nem sempre são evidentes à leitura superficial.
Diante dessas considerações e com base nas regras de colocação pronominal consagradas pelas gramáticas de referência, analise as proposições a seguir e assinale a alternativa plenamente compatível com os princípios gramaticais prescritos.
A próclise pode ser considerada obrigatória em construções optativas introduzidas por advérbios ou pronomes com carga afetiva, como "que Deus te abençoe", mesmo que a ordem sintática seja invertida, pois o fator semântico de desejo confere caráter de atração.
Na linguagem jurídica e administrativa, a ênclise é preferida como forma padrão em qualquer posição do verbo, inclusive no início do período, por se considerar que a construção proclítica compromete a impessoalidade e a solenidade esperadas do registro formal.
A mesóclise não é possível em construções com verbos auxiliares, ainda que estes estejam no futuro do presente, pois a colocação entre os dois verbos implicaria quebra sintática da unidade verbal, o que tornaria a estrutura incompatível com a regência normativa.
Em períodos em que o verbo principal se apresenta no futuro do presente, e está precedido por advérbio com valor modalizante, como "certamente" ou "possivelmente", admite-se a mesóclise apenas quando a oração estiver entre vírgulas, pois a intercalação neutraliza o fator atrativo e restaura o campo para a forma elevada da colocação.