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A função da vírgula no trecho: “Eu sempre sonho que uma...

L E I T U R A

Adélia Prado


  1. Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.
  2. As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha
  3. de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas
  4. fora do seu tempo desejadas.
  5. Ao longo do muro eram talhas de barro.
  6. Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
  7. que lá fora o mundo havia parado de calor.
  8. Depois encontrei meu pai, que me fez festa
  9. e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,
  10. os lábios de novo e a cara circulados de sangue,
  11. caçava o que fazer pra gastar sua alegria:
  12. onde está meu formão, minha vara de pescar,
  13. cadê minha binga, meu vidro de café?
  14. Eu sempre sonho que uma coisa gera,
  15. nunca nada está morto.
  16. O que não parece vivo, aduba.
  17. O que parece estático, espera.

PRADO, Adélia. Leitura. In: PRADO, Adélia. Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2011.

A função da vírgula no trecho: “Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca nada está morto.” (linhas 14-15) é


A

indicar a elipse de verbo ou de expressão inteira.


B

separar orações coordenadas.


C

separar orações intercaladas.


D

isolar orações adjetivas restritivas.