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À luz dos estudos bakhtinianos e de seus desdobramentos nas teorias do discurso, a linguagem é concebida não como um sistema abstrato de formas, mas como um fenômeno socialmente orientado, historicamente situado e constitutivamente dialógico. Considerando essa perspectiva e os conceitos de enunciado, enunciação, texto, polifonia e gêneros discursivos, assinale a alternativa que apresenta uma compreensão teoricamente consistente com esse modelo.
A polifonia, enquanto categoria analítica da linguística textual, refere-se à alternância de registros estilísticos no interior de um mesmo texto, constituindo um fenômeno exclusivamente retórico e estilístico, alheio às dimensões ideológicas do enunciado.
O conceito de dialogismo, no campo da linguagem, implica reconhecer a presença de múltiplas vozes na construção do sentido, mesmo quando essas vozes não se manifestam explicitamente, o que evidencia a inseparabilidade entre linguagem e ideologia.
A enunciação, na perspectiva dialógica, diz respeito exclusivamente ao momento empírico da produção verbal, sem relação com o modo como o sujeito se posiciona ideologicamente no interior do discurso proferido.
A análise do discurso, baseada na teoria enunciativa bakhtiniana, propõe que o enunciado é uma unidade linguística isolável, autônoma e autoexplicativa, cujos efeitos de sentido independem da relação entre locutor e interlocutor.
A noção de gênero discursivo refere-se a estruturas linguísticas recorrentes que, por sua regularidade sintático-semântica, permitem a classificação dos textos em categorias gramaticais objetivas, desvinculadas de condições de produção e circulação.


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