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Considerando os trechos a seguir, retirados do texto...

Não somos mais as meninas do pátio do colégio

Por Martha Medeiros

  1. Assistia a um telejornal, distraída, quando apareceu na tela o depoimento de um coroa que
  2. eu não conhecia, mas, por algum motivo, a imagem me atraiu. Ao ler o nome dele nos créditos,
  3. pensei: já conheci um cara com este nome... Peraí... Não pode ser. Caramba, é ele. Um amigo
  4. que sumiu de vez do meu radar. Pertencemos ..... mesma turma de praia quando tínhamos
  5. 20 anos. Lembro que ele surfava, tinha um jipe e era um gozador nato. E agora estava ali, sisudo
  6. na tela da tevê, de terno e gravata, com a pele acinzentada, um fiapo de cabelo, um senhor —
  7. da minha idade.
  8. No espelho do banheiro, nosso rosto é o mesmo todo dia. Envelhecemos
  9. microscopicamente. De terça para quarta, nenhuma diferença. Até que você encontra na rua
  10. uma ex-colega de faculdade ou se depara na tevê com alguém que já fez parte da sua juventude
  11. e se pergunta: será que eu também perdi o frescor? Eles se perguntam a mesma coisa quando
  12. te _______.
  13. O espelho do banheiro não conta a verdade pelo simples fato de que ignoramos o que é
  14. visto toda hora. Já fotografias antigas são espelhos retroversos, demarcam com precisão as
  15. diferenças entre o antes e o agora. Outro dia mostrei para minha filha uma foto de nós duas em
  16. um aninho”. “Estou falando de ti, mãe”.
  17. 1992, eu a segurava em meu colo. Ela ficou impactada: “Era uma criança!”. “Claro, você tinha
  18. É uma questão de perspectiva. Para os bebês, os pais são matusaléns. No entanto, naquela
  19. foto, eu tinha menos idade do que ela _______ hoje — éramos não uma, mas duas crianças.
  20. Um dia ela me verá com o rosto completamente craquelado, miúda, corcunda pelo peso dos
  21. anos transcorridos, e o susto será outro: serei um espelho do seu futuro. Será obrigada a encarar
  22. .... velhice que, gostemos ou não, está sempre em nossos calcanhares.
  23. O tempo tem rosto, o tempo tem mãos, o tempo tem voz — e nada disso permanece o
  24. mesmo. As superfícies espelhadas reproduzem uma imagem de aparente pausa porque, de hoje
  25. para amanhã, não se nota alteração. Mas quando encontro minhas amigas a intervalos de tempo,
  26. sou atravessada pela verdade óbvia de que não somos mais aquelas meninas do pátio do colégio.
  27. O que me consola é que estes espelhos vivos (a feição atual de nossos velhos afetos) trazem
  28. tanto _______ como boas notícias. Em vez de sofrer pelo que está arruinado, busco em cada
  29. rosto o sorriso moleque de antigamente, o olhar ainda curioso, a eternidade que mora nos
  30. detalhes. Aquele amigo que apareceu na tevê, tão concentrado em sua declaração em frente ....
  31. câmeras, talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência em meio aos verbos empolados
  32. que usava, e foi isso que me fez reconhecê-lo. Mesmo o mais implacável dos espelhos reflete
  33. algo em nós que não muda.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2025/11/nao-somos-mais-as-meninas-do-patio-do-colegio-cmi7pglt701jw0150cmqjyb7l.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, assinale a alternativa na qual tenha sido empregada a figura de linguagem conhecida como personificação.


A

“Um amigo que sumiu de vez do meu radar”.


B

“[...] será que eu também perdi o frescor?”.


C

“O espelho do banheiro não conta a verdade”.


D

“Já fotografias antigas são espelhos retroversos”.


E

“[...] talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência”.