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Sobre o emprego do hífen nas formações por prefixação...

O cuidado e a desolação

Por José Henrique Bortoluci

  1. A atual crise do cuidado, agravada por mudanças demográficas, aponta para um modelo em
  2. ruínas. Enquanto a população experimenta um aumento notável na longevidade, a infraestrutura
  3. do cuidado necessária para amparar essa nova realidade segue frágil, assentada em bases fiscais
  4. e em soluções culturais temerárias. A geração dos nascidos em meados dos anos 1980 já começa
  5. a enfrentar de forma dramática essa nova realidade demográfica – neste momento como
  6. cuidadores, mas em algumas décadas como idosos que precisarão de cuidados. Essa nova
  7. realidade expõe ainda os problemas de um sistema que historicamente dependia de soluções
  8. precárias e machistas, como a figura da tia solteira, que assumia os cuidados dos pais.
  9. A transformação demográfica é silenciosa, mas acelerada. A projeção indica que a população
  10. brasileira crescerá até 2047, alcançando 233,2 milhões de habitantes, para então diminuir
  11. gradualmente para 228,3 milhões em 2060. Nesse ano, aproximadamente 25% da população terá
  12. mais de 65 anos. Em apenas duas décadas, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais poderá
  13. dobrar (de 15% para 30%), enquanto a proporção daqueles com 80 anos ou mais poderá triplicar
  14. (de 2,3% para 7%). Esta rápida transição de um país jovem para um país envelhecido impõe
  15. desafios significativos aos modelos econômicos, à previdência social, às estruturas familiares e às
  16. concepções acerca dos cuidados necessários.
  17. O impacto mais forte será sentido na dependência de idosos. Em 2020, havia 22 idosos para
  18. cada 100 pessoas em idade ativa. Em 2060, esse número deve saltar para 65. E as pessoas da
  19. minha geração (nascidas em meados dos anos 1980) serão parte expressiva desse grupo. Isso
  20. significa que cada adulto poderá ter de sustentar quase dois idosos – uma mudança radical tanto
  21. para nossas concepções sobre cuidado e interdependência, quanto para o Estado e as políticas
  22. públicas, em todos os níveis da federação.

(Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/geracao-democracia-parte-v_o-cuidado-e-a-desolacao/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Sobre o emprego do hífen nas formações por prefixação, segundo o Acordo Ortográfico vigente, assinale a alternativa INCORRETA.


A

Nas formações com o prefixo inter-, não se utiliza hífen na combinação com elementos iniciados por qualquer consoante, como em interdependência e interrelação.


B

A palavra infraestrutura é grafada sem hífen, pois nas formações em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento inicia em vogal diferente, não há emprego de hífen.


C

Nas formações em que o prefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento, emprega-se hífen, como em semi-interno.


D

Não se usa hífen em formações que contêm o prefixo in- e nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial, como em inábil.


E

Nas formações com o prefixo co-, este combina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o, como em cooperação.