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Com base no trecho abaixo, retirado do texto, assinale a...

Amor


Por José Henrique Bortoluci


  1. Dayanna Louise é uma professora de 40 anos, nascida em Carpina, no interior de
  2. Pernambuco. Mulher trans, doutoranda em educação pela Universidade Federal de Sergipe, ela
  3. é também ativista dos direitos LGBTQIAPN+ e da educação pública. Ela me fala das armadilhas
  4. do amor na vida e na educação: “Eu não me reconheci como um corpo dissidente; quem
  5. começou a me reconhecer foram os outros. Um exemplo clássico: eu sempre queria brincar com
  6. as meninas, e as pessoas diziam que era errado. Quando ia à casa da minha avó, ficava isolada
  7. porque não podia brincar com minhas primas e não queria brincar com meus primos. Na
  8. adolescência, parei de me olhar no espelho. Eu internalizava a culpa por essas violências, por
  9. esse ciclo que vinha de muito tempo”.
  10. “Depois, teve uma virada de chave que tornou tudo mais complicado para mim, que foi
  11. quando minha família começou a se aproximar de igrejas neopentecostais. Então, eu passei a
  12. ser levada para as ‘correntes de libertação’ da Igreja Universal. Lembro que eu tinha uns
  13. 11, 12 anos, e minha família me levava do interior para a capital, para a matriz da Igreja
  14. Universal no Recife. E a lógica era: ‘Olha, o que está acontecendo é que você tem um espírito
  15. dentro de você, um espírito maligno’. E aí eu comecei a acreditar naquilo”.
  16. “Na adolescência, era mais difícil acessar outras informações, outros conceitos sobre as
  17. possibilidades de vida, então aquilo era o que chegava até mim. Eu não conseguia achar
  18. contrapontos. Eu entendo que existe um processo contraditório na relação que tenho com minha
  19. família, porque é claro que existe muita violência nessa tentativa de ‘curar’ pela fé quem eu era,
  20. mas entendo também que havia uma motivação genuína, que era o amor. Uma motivação que
  21. se realiza de maneira torta e injustificável. Era uma sessão de horror. Uma psicóloga me olhou
  22. e disse: ‘Estou aqui para descobrir o que você é e dizer aos seus pais. Mas, de antemão, se
  23. confirmar aquilo que eu suspeito, você vai mendigar amor pelo resto da sua vida. Pessoas como
  24. você não têm direito ao amor’.”.
  25. “O amor... Se a violência é justificada pelo amor, então eu tenho que desromantizar esse
  26. amor. Não é aquele amor bíblico que tudo supera, tudo suporta e por aí vai. Estou pensando
  27. nisso agora: acho que eu tenho acreditado nesse amor cada vez menos. Porque eu senti em
  28. minha vida o quanto o amor muitas vezes é acionado para justificar o injustificável. A gente vê,
  29. por exemplo, os debates da extrema direita: é amor a Deus, amor à pátria e à família. Mas, do
  30. meu lado político, também existem problemas. Parece também que o amor sempre entra nesses
  31. debates progressistas como uma forma de higienizar a discussão, de amansar as contradições”.
  32. “Eu venho do serviço social, e lembro que lá tem uma campanha, a única que a categoria
  33. profissional desenvolveu até hoje sobre pautas de diversidade sexual, que é: ‘O amor fala todas
  34. as línguas’. Eu pensava: ‘Gente, uma categoria que defende os direitos da classe trabalhadora,
  35. que defende os direitos humanos e justifica a promoção deles para a população LGBT, mas
  36. dizendo que o amor fala todas as línguas com um debate que é extremamente bíblico e cristão,
  37. é um absurdo!’ Eu ainda acho isso”.

(Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/geracao-democracia-parte-vi_a-aula-e-o-truque/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Com base no trecho abaixo, retirado do texto, assinale a alternativa que NÃO é um sinônimo da palavra “violência”.


“Eu entendo que existe um processo contraditório na relação que tenho com minha família, porque é claro que existe muita violência nessa tentativa de ‘curar’ pela fé quem eu era [...]”.


A

Agressão.


B

Delicadeza.


C

Rudeza.


D

Violação


E

Brutalidade.