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Considerando o Acordo Ortográfico vigente, assinale a...

Visões de Régis Bonvicino: poeta e ativo militante cultural

Por Luis Marcio Silva

  1. Certa vez, ao falar sobre São Paulo, onde nasceu em 1955, o poeta Régis Bonvicino
  2. afirmou que a cidade lhe parecia uma “espécie de céu inacabado”. Não era no céu, porém, e
  3. sim no plano comum das esquinas, avenidas e edifícios que ele mapeava São Paulo em seus
  4. poemas. “Minha poesia não tem muita ficção, tem muita visão, é o que eu vejo”, ele me disse.
  5. O que Bonvicino via era a metrópole em transformação, consumida pela especulação imobiliária
  6. e a miséria crescente.
  7. Foi essa São Paulo que lhe insuflou os primeiros livros “Bicho papel” (1975) e
  8. “Régis Hotel” (1978). No poema “Sem título (7)”, ele escreveu: são paulo/do teu passado
  9. tupi/só resta/o rápido som/da palavra aqui. É também essa cidade que comparece nos últimos
  10. poemas, como os inéditos “Ars vivendi” e “Várzea do Carmo”. Há apenas uma deriva na história,
  11. que leva até Várzea do Carmo para evocar raízes de uma injustiça ancestral.
  12. Régis Bonvicino morreu no dia 5 de julho passado, em Roma, onde estava em férias.
  13. Sofreu uma queda, que lhe causou traumatismo craniano. Estava com 70 anos. Ele não nutria
  14. visão idealizada da Itália. O que mais o fascinava era o cinema, sobretudo o neorrealismo.
  15. Desde jovem, Bonvicino foi militante cultural, participando de revistas, traduções e
  16. jornais. Editou Poesia em G e Qorpo Estranho, que reuniu veteranos e nomes da nova geração,
  17. como Paulo Leminski. Mais adiante, lançou a revista Sibila, que depois migrou para a internet.
  18. Ele buscou construir pontes entre poetas brasileiros e estrangeiros, convidando autores como
  19. Michael Palmer e Charles Bernstein. Suas trocas decisivas ocorreram com Paulo Leminski, de
  20. cuja correspondência surgiu o livro “Envie meu dicionário” (1999).
  21. Em seus primeiros livros dialogou com o concretismo, mas foi se afastando
  22. dessa herança. O momento decisivo foi “Sósia da cópia” (1983). Seu último livro,
  23. “A nova utopia” (2022), faz um inventário das ruínas do presente. Essa reflexão crítica percorre
  24. também o libreto “Deus devolve o revólver” (2019).
  25. Em entrevista, Bonvicino comentou vícios do sistema literário e avaliou que há
  26. poetas em excesso e leitores de menos. Talvez por reconhecer a inutilidade da poesia – e sua
  27. liberdade – tenha buscado interlocutores fora da literatura.

(Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/visoes-de-regis-bonvicino/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o Acordo Ortográfico vigente, assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas de forma correta.


A

Ensaio – intertextual – para-doxo.


B

Inter-textual – identidade – esistência.


C

Identidade – paradoxo – enssaio.


D

Inter-textual – identidade – existência.


E

Identidade – paradoxo – intertextual.