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Nem oito, nem 80: extremos no consumo de açúcar prejudicam a saúde mental
Por Lara Natacci
01 Pouca gente imagina, mas a relação entre o açúcar e a nossa saúde mental é muito mais
02 complexa e surpreendente do que parece. Um estudo recente, que acompanhou cerca de
03 170 mil pessoas por mais de 10 anos, trouxe nuances importantes sobre como diferentes tipos
04 de açúcar se relacionam com depressão, ansiedade e comportamentos de autoagressão.
05 Tanto o excesso quanto a restrição exagerada podem estar associados ___ piora da saúde
06 mental. O perigo, ao que tudo indica, mora nos extremos. O estudo avaliou diversos subtipos de
07 açúcar presentes na alimentação, desde os naturalmente encontrados nas frutas e nos laticínios
08 até os açúcares livres, adicionados a bebidas e produtos industrializados. Como esperado,
09 consumir grandes quantidades dos açúcares adicionados, especialmente em bebidas açucaradas
10 e doces, esteve ligado a um maior risco de depressão e ansiedade ao longo dos anos. O “muito
11 pouco” e o “muito” estão associados a mais problemas emocionais, enquanto o meio-termo
12 pareceu mais protetor.
13 ___ primeira vista, isso pode causar estranhamento. Afinal, falar em proteção associada
14 ao açúcar não combina com a visão tradicional, de que ele é um vilão absoluto. Mas essa
15 interpretação simplista não se sustenta quando olhamos para a fisiologia. O cérebro precisa de
16 glicose – não de exageros, mas de um suprimento adequado para funcionar. Restrições severas
17 podem elevar hormônios de estresse, afetar neurotransmissores e piorar ___ relação emocional
18 com a comida. No outro extremo, o excesso crônico de açúcar favorece inflamação, estresse
19 oxidativo, alterações no metabolismo da glicose no cérebro e uma série de impactos na
20 microbiota intestinal – fatores já bem documentados na literatura.
21 O estudo reforça que não é o açúcar isoladamente que determina o humor, mas o contexto
22 em que ele aparece. O açúcar das frutas, dos cereais, dos feijões ou dos laticínios não age da
23 mesma forma que o açúcar adicionado em bebidas açucaradas. Quando o consumo de
24 carboidratos acontece dentro de uma dieta equilibrada, rica em fibras, vegetais, grãos integrais
25 e proteínas de qualidade, o organismo metaboliza esse açúcar de maneiras muito diferentes,
26 com picos glicêmicos menores, mais saciedade e modulação positiva da microbiota. É justamente
27entre os alimentos que compõem esse padrão alimentar de maior qualidade que encontramos
28 os verdadeiros fatores de proteção para a saúde do cérebro.
29 Frutas, hortaliças, leguminosas, cereais integrais, oleaginosas e peixes, por exemplo,
30 fazem parte de grupos alimentares estudados em padrões como a dieta mediterrânea e a
31 MIND diet, que mostram efeitos consistentes na redução de sintomas depressivos e ansiosos.
(Disponível em: https://saude.abril.com.br/coluna/alimente-se/nem-oito-nem-80-extremos-no-consumo-deacucar-prejudicam-a-saude-mental/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta uma oração na voz passiva.
O cérebro precisa de glicose para funcionar.
O estudo avaliou diversos subtipos de açúcar.
Restrições severas podem elevar hormônios.
O açúcar das frutas não age da mesma forma.
O açúcar é metabolizado de maneiras diferentes.