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No desenvolvimento do texto, aparecem vocábulos cuja...

Para responder às questões 01 a 10, leia o texto abaixo.


Todo modelo de felicidade é utópico


  1. Em 2008, publiquei meu primeiro livro de crônicas,
  2. uma coletânea de quase uma década que, como sugeria
  3. O título (Não Pensem por Mim), foi uma espécie de
  4. insubordinação aos livros de autoajuda que desde aquela
  5. época passaram a ocupar um espaço progressivamente
  6. maior em todas as livrarias.
  7. A rebeldia era, e continua sendo, contra a pretensão
  8. de venderem modelos estereotipados que facilitariam o
  9. acesso à felicidade de pessoas marcadas pela
  10. diversidade de objetivos, sonhos e expectativas. Não
  11. servia pra nada, como estava enganada. Antes eu me
  12. dava, agora me empresto: “não” também é uma palavra
  13. valiosa. Velha é a vida que ficou para trás. Mudou, volta
  14. a ser nova.
  15. Um dia desses, voltei ao assunto, relatando duas
  16. condições opostas porque confrontavam a tendência à
  17. solidão indesejada dos velhos carentes de amparo e
  18. sustentação das familias e, no outro extremo, uma amiga
  19. de 86 anos, lúcida, determinada e com uma cota de
  20. deboche que identifica as pessoas inteligentes e
  21. insubmissas, uma mulher que não relutava em usar todas
  22. as armas disponíveis para assegurar sua privacidade.
  23. Dias depois, a doutora Mônica Langer, participante
  24. do Programa Humanidades do Hospital Samaritano,
  25. colocou no site um "protesto" elegante, delicado e
  26. pertinente, sugerindo uma virada de chave:
  27. "O professor abordou o tema tangenciando a cultura
  28. gregária, social, familiar, que faz a quem tem um perfil
  29. mais eremita sentir-se inadequado. A medicina quase
  30. condena ao adoecimento as pessoas de pouca
  31. interação, Bastar-se e cuidar do nosso templo físico e
  32. mental para ganhar a melhor saúde, agilidade e
  33. independência possíveis valem o expressivo ganho que
  34. alcançamos em longevidade. Cultivar a solitude com
  35. curiosidades, interesse pela vida, admirar-se com o novo,
  36. e não colocar nos outros um motivo para viver, é afastar
  37. com suavidade os sentimentos de solidão”.
  38. Claro que este alerta inteligente precisa ser aceito e
  39. reconhecido porque exalta a importância da
  40. heterogeneidade, que torna o convívio social estimulante
  41. e a atividade assistencial tão desafiadora e profícua em
  42. sabedoria.
  43. Lembro sempre de um leitor fiel que, anos atrás, me
  44. procurou depois de ler uma crônica em que relatei as
  45. conclusões do famoso trabalho de Harvard sobre o
  46. desenvolvimento adulto (Robert Waldinger, TED 2015),
  47. em que se constatou que a principal característica dos
  48. homens que tinham chegado aos 80 anos em melhores
  49. condições de saúde física e mental era a de possuírem
  50. muitos amigos. Pois meu leitor confessou que se
  51. alegrava por estar na contramão desse modelo, a ponto
  52. de, numa linda manhã, enquanto preparava o seu
  53. solitário churrasco de domingo, ter-se emocionado ao
  54. dar-se conta do quão pouco precisava para sentir-se feliz.
  55. Nos últimos tempos, com alguma frequência, a
  56. lembrança dessa história retorna, talvez trazida por uma
  57. pitada de inveja de tal leveza de espírito.

Autor: J.J. Camargo - GZH (adaptado).

No desenvolvimento do texto, aparecem vocábulos cuja acentuação gráfica decorre de diferentes regras previstas na norma padrão. Considerando os termos apresentados a seguir, assinale a alternativa cujo vocábulo NÃO recebe acento gráfico por ser proparoxitona.


A

época (l..5).


B

físico (l.31).


C

lúcida (l.19).


D

saúde (l.32)