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Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 03.
Óculos escuros
O azul é mais profundo, o verde é mais denso, o asfalto é mais escuro. Todas as cores se fortalecem, ganham relevo, se acentuam diante dos olhos, como se a vida fosse mais colorida e olhar em volta fosse uma brincadeira muito interessante, como quando a gente é criança e descobre todas as possibilidades de um carrinho.
Não tem como dizer que não fica mais bonito. Fica. Fica e faz bem para a visão. O sol não bate tão forte, a luminosidade não dói, nem faz a gente quase fechar os olhos. Não, olhamos em volta como se fosse normal ser assim, como se os óculos escuros fossem algo naturalmente ligado à nossa cabeça, e não um artefato preso atrás das orelhas.
Não faço a menor ideia de quem foi o inventor dos óculos escuros, mas foi um gênio. E ele não precisa ficar triste, se eu não sei o nome dele, também não sei o nome do inventor da roda ou de quem domesticou o fogo.
Nem por isso a roda e o fogo não foram fundamentais para o progresso da humanidade. Sem eles onde será que estaríamos? E sem a lança, o arco e a flecha? Também não sei quem foram os inventores desses instrumentos essenciais para o ser humano se tornar o dono das savanas.
Como dizia Raul Seixas, “quem não tem colírio usa óculos escuros”. É só mais uma utilidade para um instrumento de mil e uma utilidades. Serve para esconder olho roxo, para amenizar ressaca, para não deixar ver para quem estamos olhando, para ocultar a lágrima de um velório.
Nos dias de sol, os óculos escuros ganham mais relevância. São bonitos, facilitam enfrentar a luminosidade, nos deixam mais simpáticos, mais inclusivos, mais na moda. É como se a vida girasse entre festa e poesia, e num mundo mais colorido, a luz tivesse um papel milagroso com que fizesse a paz algo possível no mundo real.
Além disso, os óculos escuros protegem os olhos.
MENDONÇA, Antonio Penteado. Óculos escuros. Crônicas da cidade. Disponível em <https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/09/12/oc ulos-escuros/>.
Em relação ao texto “Óculos escuros”, é correto afirmar que o autor:
transforma um objeto altamente sofisticado num tema de crônica sem sentido.
transforma um objeto corriqueiro num tema de crônica com reflexões mais profundas.
apresenta uma postura crítica contrária a quem faz uso de óculos escuros.
divide os óculos escuros por marcas, dos mais baratos aos mais sofisticados.
elabora um poema a partir do seu primeiro contato na vida com óculos escuros.