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A 36ª Bienal de São Paulo, intitulada Nem todo viandante...

A 36ª Bienal de São Paulo, intitulada Nem todo viandante anda estradas: da humanidade como prática, propôs repensar a humanidade como verbo, uma prática viva, em um mundo que exige reimaginar as relações, as assimetrias e a escuta como bases de convivência. Um de seus eixos curatoriais teve por base o seguinte poema:


Da calma e do silêncio


Quando eu morder

a palavra,

por favor,

não me apressem,

quero mascar,

rasgar entre os dentes,

a pele, os ossos, o tutano

do verbo,

para assim versejar

o âmago das coisas.


Quando meu olhar

se perder no nada,

por favor,

não me despertem,

quero reter,

no adentro da íris,

a menor sombra,

do ínfimo movimento.

Quando meus pés

abrandarem na marcha,

por favor,

não me forcem.

Caminhar para quê?

Deixem-me quedar,

deixem-me quieta,

na aparente inércia.


Nem todo viandante

anda estradas,

há mundos submersos,

que só o silêncio

da poesia penetra.


Esse poema foi escrito por


A

Cecília Meireles.


B

Carolina Maria de Jesus.


C

Hilda Hilst.


D

Conceição Evaristo.


E

Rita Apoena.