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ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se às próximas 10 questões.
Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!
Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...
(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.)
Sobre o trecho “Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação.”, assinale a afirmativa correta.
A crase se justifica pela junção do “a” preposição + “a” que inicia o pronome “aquela”.
Existe um erro de construção, já que o pronome não admite crase.
É gramaticalmente correto substituir a preposição “a” pela expressão “do que”.
A substituição de “àquela humilhação” por “aquele insulto” implicaria ausência de acento grave, já que antes de palavra no gênero masculino não se usa crase.
O uso da crase é facultativo, considerando que o pronome “aquela” admite dupla possibilidade de uso do acento grave.