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Texto XV
O Santo Inquérito
BRANCA (Está de pé, muito excitada.)
Era o que eu já devia ter feito. Assino em branco que reconheço todas as culpas de que me acusam ou venham a acusar-me e pronto. Assim, talvez devolvam a vocês a liberdade e a mim a luz do sol! (Sobe ao plano superior e grita.) Guarda! Guarda!
AUGUSTO
Branca, por Deus, não faça isso! Por que terei então resistido a todas as torturas? Para quê?
BRANCA
Mas eu não quero que você sofra!
AUGUSTO
Mas alguém tem de sofrer!
BRANCA
Não por minha causa.
AUGUSTO
Por uma causa qualquer, grande ou pequena, alguém tem que sofrer. Porque nem de tudo se pode abrir mão. Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca da liberdade. Nem mesmo em troca do sol.
BRANCA
Nem mesmo em troca do sol.
GUARDA (Entra.)
Que foi? Alguém chamou?
BRANCA (Hesita ainda um instante.)
Não, ninguém Chamou.
GOMES, Dias. O Santo Inquérito. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1985. p. 66.
Que aspectos do gênero literário a que o Texto XV pertence devem ser adequadamente explorados em uma turma de 1a série do ensino médio?
Os diferentes pontos de vista do narrador em perspectiva heterodiegética.
A predominância da função emotiva ou expressiva e da 1a pessoa do singular.
O perfil coletivo da personagem principal e a objetividade da linguagem.
O foco na ação das personagens e nas orientações semióticas das rubricas.
A ambiência trágica da cena como determinante de uma narração particular.