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A originalidade histórica e literária da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis não reside apenas em sua posição cronológica no debate abolicionista, mas sobretudo na forma como o romance reorganiza os regimes de voz e de autoridade narrativa.
Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa que expressa corretamente esse deslocamento discursivo promovido pela obra.
Úrsula rompe com a tradição romântica brasileira ao abandonar completamente os conflitos sentimentais, substituindo-os por uma argumentação política direta e panfletária contra a escravidão.
Úrsula incorpora o discurso abolicionista ao submeter a experiência dos sujeitos escravizados a uma mediação moral cristã que, embora crítica, mantém intacta a hierarquia simbólica entre senhores e cativos.
Úrsula mantém a centralidade do ponto de vista senhorial, utilizando personagens escravizados apenas como recurso retórico para intensificar o pathos romântico.
Úrsula antecipa o realismo naturalista ao representar a escravidão como fenômeno determinado exclusivamente por fatores econômicos e ambientais, minimizando a dimensão moral da opressão.
Úrsula desloca o eixo narrativo da legitimação jurídica e econômica da escravidão para uma construção ética da subjetividade do sujeito escravizado, produzindo uma contranarrativa em relação ao discurso oficial do Império.