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Leia o Texto 2 para responder às questões de 05 a 07.
Texto 2
a favor dos sem partido
sem dinheiro pra passagem
a favor dos estudantes
emperrando as engrenagens
a favor de uma garota
que tinha um olhar selvagem
e carregava um cartaz
escrito apenas “CORAGEM”
vou às ruas e hoje escrevo
uma balada-homenagem
vi um velho de muletas –
velhice = jardinagem –
caminhar cinco quilômetros
na maior camaradagem
vi uma mulher dançando
com seus cabelos na aragem
do alto de um edifício
incentivando a passagem
da passeata – e por isso
rendo aqui minha homenagem
que o governo não ignore –
nem se esconda na folhagem
da retórica política –
essa universal mensagem
pra que a esperança não morra
depois de nadar, na margem
nem a justiça se torne
piada, rancor, miragem
– ao eventual ouvinte
do poder, presto homenagem
dói o dia, dói a vida
dói em cada cartilagem
à dor, cerne da poesia
me doo nesta homenagem.
CORSALETTI, Fabrício. Balada a favor das últimas manifestações. In: CORSALETTI, F. Baladas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
A autodenominação do texto como “balada-homenagem” orienta a leitura do poema ao articular tradição lírica e circunstância histórica. Essa articulação resulta em um gênero que combina
memorialização simbólica e posicionamento valorativo.
registro documental e reconstrução factual dos acontecimentos.
discurso celebratório e prescrição explícita de pautas políticas.
crônica urbana e comentário jornalístico de eventos recentes.