Imagem de fundo

No trecho: [...] “chegou ao preciosismo”, a palavra...

Texto 1 - Outro de Elevador


"Ascende" dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se". "Para cima". "Para o alto". "Escalando". Quando perguntavam "Sobe ou desce?" respondia "A primeira alternativa". Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo", "Cai controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..." ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia "tem seus altos e baixos", como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: "Era só me pedirem ― eu também canto!"


(Luís Fernando Veríssimo)

No trecho: [...] “chegou ao preciosismo”, a palavra destacada pode ser corretamente compreendida, no contexto do texto, como


A

tolerância excessiva.


B

exagero na busca de perfeição.


C

simplicidade proposital.


D

descuido estilístico constante.


E

rigor técnico funcional.