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Sobre as características do gênero de texto, assinale a...

Leia o texto a seguir e responda às questões de 5 a 8.


Eu nunca imaginei que escreveria sobre eutanásia. Sempre enxerguei o direito à vida como algo absoluto, intocável, um valor que não se negocia. Mas, quando a vida passa a ser apenas dor, quando o sorriso já não aparece e os dias se tornam uma repetição silenciosa de sofrimento, comecei a me perguntar: é possível falar sobre eutanásia sem que isso signifique desistir da vida?

Essa reflexão começou há cerca de dois meses, quando minha mãe recebeu o diagnóstico de câncer no fígado em estágio irreversível. Até então, eu conhecia o câncer pela ótica das histórias de luta: pessoas encarando quimioterapia, celebrando cada pequena vitória, vivendo o brilho da esperança. Mas agora eu vejo o outro lado – aquele que raramente aparece nas conversas. O lado dos corredores silenciosos da ala paliativa, onde minha mãe está. Um espaço em que a medicina já não busca curar, mas apenas aliviar, suavizar o inevitável.

Ali, alta não significa voltar para casa; significa partir. E, como filho, vivo um dilema que não sei explicar completamente. Eu tento ser forte o suficiente para sustentar emocionalmente a minha mãe, enquanto sustento também uma mentira: digo que ela vai melhorar, que logo sairá dali. Digo isso a ela – e a mim mesmo – porque é a única forma de manter viva a esperança que ainda resta. Mas, por dentro, estou despedaçado.

Sinto que estou vivendo um tipo de luto com minha mãe ainda viva. É um luto estranho, silencioso, que não tem começo nem fim definido. Eu a abraço todos os dias sabendo que o tempo está escapando pelos dedos, e me dói perceber que, embora ela ainda esteja aqui, já estou me despedindo dela em pequenas parcelas. Cada olhar mais cansado, cada gesto mais frágil, cada frase interrompida pela dor – tudo isso pesa como se eu estivesse perdendo um pedaço de nós antes da hora. [...]

Diante de tudo o que estou vivendo, sinto que o Brasil precisa começar a discutir a eutanásia com seriedade e humanidade. Não como uma fuga, mas como um possível gesto de dignidade para aqueles que já não têm escolha sobre nada, exceto talvez sobre como desejam partir. A dor que sinto todos os dias me ensinou algo que nunca imaginei aprender: amar também é querer que o sofrimento acabe. Talvez seja justamente esse amor, esse luto em vida, essa despedida contínua, que nos obrigue a enfrentar a pergunta que hoje me acompanha em silêncio: quando a vida deixa de ser vida, não deveríamos ao menos conversar sobre outras possibilidades?


(Adaptado de: RAMALHO, Fábio. Até que ponto preservar a vida é apenas prolongar a dor? Folha de S.Paulo, 23 nov. 2025. A4. Opinião.)

Sobre as características do gênero de texto, assinale a alternativa correta.


A

Escrito em terceira pessoa, o texto narra uma sequência de fatos pessoais para envolver o leitor com a história.


B

O texto descreve os acontecimentos, criando uma imagem mental detalhada para o leitor das situações vividas.


C

Trata-se de um texto focado na criatividade, usando a linguagem de forma conotativa e poética para gerar múltiplas interpretações.


D

Trata-se de texto opinativo-argumentativo, escrito em primeira pessoa, com linguagem simples e com marcas subjetivas.


E

Escrito com linguagem denotativa, o texto desperta sensações e reflexões profundas no leitor, fugindo da subjetividade.