Imagem de fundo

Diversas análises contemporâneas do discurso midiático têm evidenciado que, mais do que...

Diversas análises contemporâneas do discurso midiático têm evidenciado que, mais do que transmitir informações, os textos jornalísticos e opinativos operam com diferentes níveis de intencionalidade, organizando efeitos de sentido por meio de estratégias linguístico-discursivas nem sempre explícitas. Isso se manifesta na seleção lexical, na estrutura argumentativa e, sobretudo, na articulação entre os dados apresentados como fatos e os juízos subentendidos como consensuais. À luz dessas observações, considera-se que:


A

a distinção entre fato e opinião pode ser facilmente identificada quando o enunciador se abstém de modalizações avaliativas, permitindo que a objetividade do texto prevaleça como marca de neutralidade do discurso, sobretudo em gêneros informativos.


B

a compreensão interpretativa de textos exige a identificação de elementos explícitos, pois o conteúdo implícito pertence ao campo subjetivo do leitor e, portanto, não pode ser considerado como parte legítima da construção de sentido textual.


C

os efeitos de sentido estão ancorados na literalidade do texto, e sua apreensão correta ocorre quando o leitor evita interpretações extrapoladas, restringindo-se ao que está linguisticamente codificado de modo direto no enunciado.


D

a inferência de sentidos a partir de informações não enunciadas diretamente é parte fundamental do processo de leitura crítica, uma vez que muitos efeitos de sentido se constroem em camadas simbólicas e dependem do reconhecimento da intenção comunicativa do autor.