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TEXTO PARA AS QUESTÕES 27 A 32
"O garrafeiro"
o garrafeiro era apenas um homem
que sobrava das ruas
também sujo de terra e esquecido
como as garrafas e cacos no quintal
suas mãos de cuidado
tangiam aranhas, lagartixas
e vez por outra
um escorpião afiado
depois arrumava as garrafas
lado a lado
âmbares, azuis, verdes, transparentes,
num arco-íris pobre
"essas são de vinho tinto"
dizia-me ele embriagado de vazios
e as de fundo côncavo serviam
para pescar piabas no Poti
o mundo é duro e frágil, eu aprendia
mas nele lições pequenas eternizam
piabas prateadas nas garrafas
como rútilos presos nos cristais
VILHENA, Graça. PEDRA DE CANTARIA. Teresina: Nova Aliança e Entretextos, 2013.
No verso “dizia-me ele embriagado de vazios”, o pronome oblíquo átono “me” aparece em posição enclítica. Com base nas normas da gramática tradicional sobre a colocação pronominal, assinale a alternativa CORRETA:
A próclise seria de rigor caso o verso fosse iniciado por uma palavra de sentido negativo, como em: “Nunca me dizia ele...”.
A ênclise no trecho original é facultativa, pois o início de frase permite o uso da próclise em contextos de alta formalidade.
Se o pronome pessoal sujeito fosse anteposto ao verbo (“Ele me dizia...”), a próclise passaria a ser obrigatória, visto que pronomes pessoais são fatores de atração absoluta.
Caso o verbo fosse flexionado no futuro do pretérito, mantendo-se no início da oração, a forma correta conforme a norma-padrão seria a ênclise: “diria-me ele...”.
A colocação pronominal no verso original justifica-se pela presença das aspas, que exercem força atrativa sobre o pronome, invalidando a regra de início de frase.