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No texto “Uma revolução sem gramática”, afirma-se que o...

TEXTOS I E II PARA AS QUESTÕES 43 A 47


TEXTO I


Uma revolução sem gramática


Professor honorário de linguística da Universidade do País de Gales, David Crystal é uma das maiores autoridades em linguagem. Autor de A Revolução da Linguagem, falou à VEJA, em 2007, sobre os impactos da internet no uso da língua e sobre o desaparecimento de línguas no mundo.

A internet está mudando o caráter das línguas?

Em cinquenta ou cem anos, todas as línguas que usam a internet serão diferentes. Surge o netspeak, ou comunicação mediada pelo computador. Ainda é cedo para prever a extensão dessa mudança, pois transformações linguísticas levam tempo. A distância entre Chaucer e Shakespeare, separados por duzentos anos, ilustra isso. O e-mail é recente. Há novidades gráficas e no uso de emoticons, mas não uma nova gramática. Poucas palavras foram incorporadas ao inglês por causa da internet, sem alterar seu caráter.

A informalidade é uma característica do netspeak?

Sim, por enquanto. O fenômeno começou com os nerds da internet, que viam a rede como alternativa à comunicação formal. Ignoravam pontuação e ortografia. Com a popularização da internet, essa informalidade se espalhou, especialmente nos e-mails. Hoje, com usuários mais velhos, a comunicação tende a se tornar novamente mais formal.

Por que tantas línguas estão desaparecendo?

O principal motivo é a assimilação cultural causada pela globalização. Línguas majoritárias suprimem idiomas menores. Não apenas o inglês, mas também chinês, russo, hindi e suahili ameaçam línguas de pequenas comunidades. A preservação depende de políticas regionais que valorizem a diversidade.

O que se perde quando uma língua morre?

Perde-se uma forma única de ver o mundo. Cada língua expressa uma visão própria, ligada à história, ao ambiente e ao modo de pensar de uma comunidade. A linguagem é o meio fundamental de comunicar essa experiência humana.

O inglês ameaça o português?

Não. Todas as línguas incorporam palavras estrangeiras. O inglês tomou empréstimos de mais de 350 línguas, o que ampliou sua expressividade. Palavras estrangeiras não substituem as existentes, coexistem com elas. Assim, a língua evolui e se enriquece.


MARINHO, Janice Helena Chaves; DACONTI, Geruza Corrêa; CUNHA, Gustavo Ximenes. O texto e sua tipologia: fundamentos e aplicações. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2012, p. 42–44. Adaptado.

No texto “Uma revolução sem gramática”, afirma-se que o inglês incorporou palavras de mais de 350 línguas ao longo de sua história. Processo semelhante ocorre no português contemporâneo, por meio de diferentes mecanismos de incorporação lexical.


Analise os exemplos a seguir:


I. Futebol, bife, estresse, líder

II. Arranha-céu, fim de semana, carta branca

III. Aplicação (no sentido de programa digital), rede (no sentido informacional)

IV. Printar, deletar, downloadar

V. USB, Wi-Fi, CEO, HTML

VI. Delivery → entrega, mouse → rato


Assinale a alternativa que associa CORRETAMENTE cada conjunto ao respectivo mecanismo linguístico.


A

I – estrangeirismo não adaptado

II – hibridismo

III – decalque

IV – neologismo semântico

V – siglas adaptadas

VI – rejeição lexical


B

I – aportuguesamento

II – decalque

III – neologismo semântico

IV – hibridismo

V – siglas e acrônimos estrangeiros

VI – rejeição ou substituição lexical


C

I – decalque

II – estrangeirismo

III – hibridismo

IV – aportuguesamento

V – neologismo semântico

VI – adaptação fonológica


D

I – neologismo semântico

II – aportuguesamento

III – estrangeirismo

IV – decalque

V – rejeição lexical

VI – siglas estrangeiras


E

I – aportuguesamento

II – hibridismo

III – neologismo semântico

IV – estrangeirismo

V – siglas traduzidas

VI – empréstimo lexical direto