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As mentiras mais comuns nos currículos – e como elas são descobertas por recrutadores
Por Rafaela Zem
01 “Inglês avançado” que trava na entrevista. Conhecimento técnico que desaparece diante
02 de uma pergunta simples. Cargos que parecem maiores no papel do que foram na prática. Essas
03 são algumas das mentirinhas clássicas que ainda aparecem em currículos — e que recrutadores
04 identificam com rapidez. Um levantamento da Robert Half, empresa global de recrutamento e
05 consultoria em talentos humanos, feito com 774 profissionais no Brasil, mostra a dimensão do
06 problema. Para 58% dos recrutadores, inconsistências no currículo já foram motivo para eliminar
07 candidatos ainda no início do processo.
08 O estudo também revela quais são as distorções mais comuns e por que elas são tão fáceis
09 de identificar. Algumas delas são, por exemplo, habilidades técnicas exageradas. O candidato
10 declara domínio de ferramentas ou conhecimentos que não consegue comprovar na prática. Há,
11 ainda, cargos e projetos apresentados de forma ampliada. A proficiência em idiomas acima do
12 nível real é um clássico; o nível informado não se confirma em uma conversa simples. A lógica
13 por trás dessas práticas é clara: aumentar as chances de passar pelo filtro inicial. Na prática,
14 porém, o efeito costuma ser o contrário. As diferenças entre discurso e experiência aparecem ao
15 longo da seleção e influenciam a decisão final.
16 Apesar disso, a maior parte dos profissionais afirma agir com transparência. Para 74%,
17 nunca houve omissão ou distorção de informações. Ainda assim, 15% admitem já ter feito
18 ajustes no currículo, enquanto 10% chegaram a considerar essa possibilidade. A pesquisa indica
19 que esse comportamento está mais ligado à pressão do que à intenção de enganar. Entre os
20 principais motivos estão o receio de perder espaço em um mercado competitivo, a tentativa de
21 se alinhar ao perfil buscado pelas empresas e o medo de que lacunas na carreira prejudiquem a
22 avaliação. Também pesam fatores como pressão financeira, urgência por recolocação e
23 insegurança sobre a própria trajetória. Esse conjunto de elementos leva alguns profissionais a
24 “embelezar” a forma como apresentam suas experiências.
25 Outro ponto que ganhou força recente é o uso de Inteligência Artificial (IA) na preparação
26 de currículos e entrevistas. A tecnologia pode ajudar na organização e na clareza das
27 informações. Mas, quando usada em excesso, deixa sinais claros – e os recrutadores já sabem
28 identificá-los, como respostas mecânicas padronizadas, falta de profundidade ao detalhar
29 experiências, uso de linguagem excessivamente formal, entre outros aspectos.
30 Para Marcela Esteves, diretora da Robert Half, o ponto central é o equilíbrio: “Há diversos
31 recursos para ajudar na organização de ideias e na estrutura do currículo, mas nenhum deles
32 substitui a experiência real do profissional. Como costumamos reforçar, a IA deve ser parceira,
33 não substituta. Quando o documento se distancia demais da trajetória do candidato, isso tende
34 a aparecer rapidamente durante as entrevistas e, sem dúvida, pode prejudicar sua reputação”,
35 conclui.
(Disponível em: g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/03/25/as-5-mentiras-mais-comuns-noscurriculos-e-como-elas-sao-descobertas-por-recrutadores.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando as normas de regência nominal e verbal da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
Em “identificam com rapidez”, o verbo é transitivo indireto.
Em “proficiência em idiomas”, o termo regente é “idiomas”.
Em “substitui a experiência”, o verbo exige a preposição “a”.
Em “influenciam a decisão”, o verbo é transitivo direto.