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No fragmento a introdução de uma molécula de ácido graxo à...

Para responder às questões 01 a 10, leia o texto abaixo.


Como o veneno de um lagarto deu início a uma revolução no tratamento da obesidade


Perder peso é o sonho dos que estão acima dele. Até aqui, medicina quase nada tinha a oferecer além do jargão “mais atividade física e dieta saudável”.

Então surgiram os agonistas do receptor GLP-1, que se ligam a esse receptor presente na superfície de uma série de células do corpo humano. O impacto tem sido tão grande que, em entrevista à revista Nature, Timothy Carvey, professor de endocrinologia da Universidade do Alabama, afirmou: “Esta era do desenvolvimento de novas drogas para o tratamento da obesidade tem potencial para ser um marco na história da medicina, semelhante ao da descoberta da insulina, da penicilina e da vacina contra a poliomielite”.

Tudo começou há 40 anos, com um lagarto preto com manchas alaranjadas pelo corpo, venenoso, que vive nos desertos do México e do sudoeste dos Estados Unidos. O interesse pelo monstro-de-gila veio da habilidade para regular o metabolismo e os níveis de glicose no sangue por longos períodos, mesmo na falta de alimentos. Num exemplo da importância da pesquisa básica para o desenvolvimento da ciência um grupo do National Institutes of Health isolou várias substâncias presentes no veneno. Uma delas, a exendina-4, estimulava o pâncreas do animal a produzir e liberar insulina.

Curiosamente, a exendina-4 apresentava configuração molecular semelhante à do hormônio humano GLP-1, que estimula a produção de insulina em resposta ao aumento da concentração de glicose na corrente sanguínea. Mas, enquanto a ação do GLP-1 dura minutos, a de exendina-4 se mantém por horas.

No diabetes tipo 2, a dificuldade para controlar os níveis açúcar no sangue está ligada ao comprometimento da produção e da ação da insulina. Como a exendina-4 mimetiza a função do GLP-1, porém de modo mais sustentável, a lógica foi testá-la no tratamento do diabetes.

Nos estudos que precederam o lançamento, ficou evidente que os pacientes perdiam peso.

Em paralelo, o laboratório dinamarquês Novo Nordisk seguia outra linha: sabendo que a ação fugaz do GLP-1 limitava o uso, a atenção foi voltada o prolongamento de sua persistência na corrente sanguínea. Os para estudos o ainda levaram ao licenciamento da liraglutida, princípio ativo de dois medicamentos: Saxenda e Victosa, que tinham o inconveniente de requerer a administração de injeções diárias.

No intento de reduzir a frequência das injeções, os pesquisadores da farmacêutica descobriram que a introdução de uma molécula de ácido graxo à de liraglutida aumentava substancialmente a duração do efeito. Essa versão do GLP 1 foi a semaglutida, comercializada com os nomes de Ozempic e Wegovy, para controle do diabetes tipo 2.

A observação de que os pacientes tratados experimentavam reduções significantes do peso motivou a companhia a iniciar o estudo Step 1, no qual participantes com IMC na faixa de obesidade foram tratados com injeções semanais de semaglutida durante 68 semanas. Em mais da metade, a perda foi acima de 15% do peso, contra 57o no grupo controle que recebeu apenas aconselhamento.

Estudos posteriores mostraram que os benefícios não se limitavam ao emagrecimento. A droga é capaz de reduzir o risco de complicações na insuficiência renal crônica e de eventos cardiovasculares fatais e não fatais, entre outros benefícios associados às alterações metabólicas causadas pela perda de peso.

É inegável que essas drogas estão revolucionando o tratamento da obesidade, mas custam muito caro, provocam reações adversas e precisam ser mantidas por tempo indeterminado. Compará-las à penicilina e à vacina da polio é certamente um exagero.


Adaptado de: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/drauzio-varella/noticia/2026/03/como-o-veneno-de-um lagarto-deu-inicio-a-uma-revolucao-no tratamento da-obesidade-cmn7q0fyz01|b01 5vsbf4z4rw.html

No fragmento a introdução de uma molécula de ácido graxo à de liraglutida aumentava substancialmente a duração do efeito, verifica-se o uso obrigatório do acento indicativo de crase. Em relação a isso, assinale a alternativa CORRETA.


A

O acento grave justifica-se pela união da preposição “a” exigida pelo substantivo abstrato com um pronome pessoal.


B

A crase evidencia a união entre um artigo feminino e um adjetivo restritivo de modo no interior da locução adverbial.


C

O uso do acento no período justifica-se unicamente pela presença formal de uma locução adverbial feminina de instrumento.


D

O fenômeno assinala a ocorrência simultânea de dois artigos definidos femininos que caracterizam o núcleo "liraglutida”.


E

A crase ocorre pela fusão da preposição a com o pronome demonstrativo “a” (com sentido de aquela), referindo-se implicitamente à molécula.